O advogado do antigo presidente do BPP José Miguel Júdice afirmou esta quarta-feira que o ex-banqueiro «vai poder finalmente começar a defender-se» em tribunal da acusação de burla qualificada em tribunal, depois de «ter sido julgado na praça pública» nos últimos cinco anos.

«Iremos demonstrar que os factos não foram como estão a ser relatados», declarou José Miguel Júdice antes de entrar para as varas criminais de Lisboa, onde hoje se inicia o julgamento de um dos processos relativos ao caso BPP.

Jose Miguel Júdice, que juntamente com João Medeiros assegura a defesa de João Rendeiro, salientou que é tribunal e não a praça pública o sítio certo para que o ex-banqueiro preste todos os esclarecimentos, notando que Rendeiro sempre manifestou vontade de colaborar com a investigação.

Quanto à acusação de burla qualificada imputada a João Rendeiro, Júdice contrapôs que «os principais prejudicados com os investimentos do BPP foram João Rendeiro e a Privado Holding».

«Foi um investimento que correu mal, mas outros correram bem», disse.

O julgamento de três ex-gestores do Banco Privado Português (BPP), entre os quais o fundador e presidente João Rendeiro, a que se somam Paulo Guichard e Salvador Fezas Vital, tem início esta manhã, em Lisboa.

Enquanto decorre a investigação do processo principal do caso BPP, relacionado com a primeira intervenção das autoridades no banco, em 2008, e que incide sobre vários aspetos ligados à gestão, aos clientes e ao fisco, vai avançar o processo paralelo relacionado com o veículo criado no universo BPP para investir especificamente em ações do Banco Comercial Português (BCP).

Neste processo-crime da «Privado Financeiras», a investigação começou em fevereiro de 2010 e foi concluída em fevereiro de 2013, tendo o Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC) confirmado a acusação feita pelo Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa em outubro.

Os arguidos, João Rendeiro, Paulo Guichard e Salvador Fezas Vital são acusados pelo Ministério Público (MP) de burla qualificada.

O coletivo de juízes responsável pelo julgamento do processo-crime «Privado Financeiras» é liderado por Nuno Salpico.