Trabalhadores das transportadoras Carris, Metropolitano de Lisboa, Transtejo e Soflusa vão esta quarta-feira realizar uma marcha de protesto contra a intenção de privatização das empresas, numa ação apoiada pela Federação dos Sindicatos dos Transportes e comunicações (Fectrans).

A marcha tem início previsto para as 10:00 no Cais do Sodré, com direção ao Largo de Camões, um percurso no qual se esperam centenas de trabalhadores e utentes.

O coordenador da Fectrans, José Manuel Oliveira, disse à agência Lusa que o objetivo da marcha é "mostrar que a privatização que o Governo quer fazer vai aumentar os custos para os utentes e piorar a qualidade dos serviços".

A Carris recebeu um pré-aviso de greve para todo o dia de hoje e, por isso, terá constrangimentos no serviço, com perturbações que deverão decorrer até ao final do último serviço do dia. Em funcionamento vão estar, em 50% do regime normal, as carreiras 703 (Charneca - Bairro de Santa Cruz) e 751 (Estação de Campolide - Linda-a-Velha).

Já para o Metro de Lisboa, Transtejo e Soflusa não se perspetiva qualquer paralisação.

O secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Silva Monteiro, anunciou no final de fevereiro que a subconcessão das operações do Metro de Lisboa e da Carris deverá estar concluída até ao final de julho.

A Carris e o Metro têm uma administração comum desde o início do ano, que partilham ainda com a Transtejo/Soflusa, mas esta última ficou fora desta proposta de concessão.

Também os trabalhadores da administração local voltam esta quarta-feira a manifestar-se, em Lisboa, para exigir aumento de salários, aplicação das 35 horas semanais e contratação de desempregados a desempenharem funções permanentes em serviços públicos.

O protesto decorre a partir das 10:30, com concentração no Rossio, seguido de uma marcha em direção ao Ministério das Finanças.

Uma das principais reivindicações passa pela publicação das mais de quatro centenas de Acordos de Entidade Empregadora Pública (ACEEP), firmados entre os sindicatos e autarquias, para a adoção do regime de 35 horas semanais, em alternativa às 40 horas determinadas pelo Governo.

Segundo o presidente do Sindicato Nacional do Trabalhadores da Administração Local (STAL), Francisco Braz, o adiamento da publicação dos ACEEP «já ultrapassou o que era admissível e o Governo está agora numa fase de chantagem pura», quando impede os municípios que mantêm as 35 horas de recorrer aos programas de reequilíbrio financeiro.

Francisco Braz apontou ainda como outra medida urgente a resolução da «existência na administração local de mais de 30 mil desempregados, a desempenharem funções permanentes, que são indispensáveis e não podem ser mandados embora».

A comissão executiva do STAL, na quinta-feira passada, contabilizou o aluguer de «perto de 80 autocarros», de vários pontos do país, para «cerca de quatro mil» trabalhadores, embora sejam esperados mais manifestantes da região de Lisboa que se desloquem pelos seus meios, como apurou a Lusa.