Cento e cinquenta pessoas manifestam-se pelas 12:00 de hoje em Pombal, distrito de Leiria, em frente às instalações de uma agência do Novo Banco, numa iniciativa marcada pelo luto em memória de um dos lesados, que morreu recentemente.

De acordo com Jorge Pires, um dos lesados com a compra de papel comercial do Grupo Espírito Santo (GES), esta pessoa, da região de Pombal, morreu na sequência deste processo, que tem motivado dezenas de manifestações por todo o país.

O grupo de lesados exige o reembolso imediato do dinheiro investido em papel comercial do GES, comprado aos balcões do Banco Espírito Santo (BES).

«Hoje, viemos vestidos de preto em memória a um dos lesados que, quando a troika chegou a Portugal, levantou 150 mil euros e enterrou-os no jardim da sua casa. Por insistência do gestor de conta deste banco, investiu em papel comercial e depois perdeu tudo. Esse senhor criou expectativas de reembolso ao longo de vários meses e nunca recebeu nada. Entrou em depressão profunda e acabou por morrer», disse Jorge Pires.


A agência do Novo Banco está fechada e apenas é aberta quando algum cliente o solicita.

Na frente desta agência, há vários cartazes de protesto, de luto, mas também velas e flores.

Solange Morgado, outra das lesadas, pediu o reembolso rápido e recordou que há muitas pessoas com 80 e mais anos e que podem vir a não receber nada.

«Efetivamente estamos em silêncio por respeito à família do falecido. Stock da Cunha [presidente do Novo Banco] prometeu uma solução que tarda em chegar e pode não haver tempo para muitas pessoas. Há pessoas com 80, 90 anos, que estão impossibilitadas de mexer no dinheiro. Há muitas pessoas a sofrer com esta situação, desesperadas, sem dinheiro para comer. Fomos todos enganados», disse.