O sindicato que representa os inspetores do SEF considerou hoje «muito grave» que este serviço não tenha qualquer programa de prevenção contra doenças contagiosas, como o vírus ébola, para proteger os funcionários que trabalham nas fronteiras.

«Os inspetores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras continuam desprotegidos face a surtos de doenças contagiosas transportadas por indivíduos que cruzam as fronteiras portuguesas. O vírus ébola, que voltou a ser epidémico entre as populações da África Ocidental, é mais um caso a juntar a uma longa lista», refere o sindicato, num comunicado enviado à agência Lusa.

Segundo o Sindicato da Carreira de Investigação e Fiscalização do SEF, este serviço de segurança «não tem qualquer programa de prevenção» contra doenças contagiosas e todos os dias os seus inspetores do SEF contactam, no desempenho das suas funções, com cidadãos oriundos de vários países, muitos deles constam da lista da Organização Mundial de Saúde com vírus ativos.

O sindicato sublinha que nos aeroportos portugueses, nomeadamente em Lisboa, o perigo de contágio «é elevadíssimo» devido às proveniências de muitos voos, considerando ser «muito grave» que o SEF não tenha «ativo qualquer plano específico para a prevenção e proteção dos seus funcionários».

«Tendo em conta que diariamente chegam a Lisboa e a outros locais do país voos oriundos de África, nomeadamente de países limítrofes da Guiné Conacri, local atualmente sob alerta devido a um surto de ébola, a preocupação é grande entre as equipas do SEF», adianta a nota.

O sindicato diz ainda que os inspetores do SEF são os primeiros a contactar diretamente com muitos dos passageiros, o que demonstra o «risco ligado às funções específicas que exercem nas fronteiras em Portugal».

A nota dá ainda conta que uma das função dos inspetores é acompanhar passageiros não admitidos ou expulsos aos seus países de origem e, nestas circunstâncias, também «não existe um plano aprovado de vacinação ou consultas específicas para os proteger».