Os pais dos seis jovens que morreram na praia do Meco, em dezembro do ano passado, não desistem e anunciaram esta quinta-feira que vão pedir a abertura da instrução do processo já na próxima segunda-feira, dia em que se completam nove meses sobre a morte de seis alunos da Universidade Lusófona de Lisboa.

«A abertura de instrução será uma maneira de, perante um juiz de instrução, tentar ouvir da própria boca do João Gouveia (único sobrevivente), se ele entender falar, aquilo que se passou», disse à Lusa o advogado das famílias.

Vítor Parente está convicto de que o despacho de arquivamento do Ministério Público «não só não veio esclarecer os factos, como veio adensar mais as dúvidas».

O advogado explicou que «a abertura da instrução é mais uma tentativa que se faz, no âmbito do processo judicial, para tentar chegar à verdade, para que as coisas façam algum sentido e sejam clarificadas. Com o despacho [de arquivamento] do Ministério Público do Tribunal de Almada, os pais ficaram ainda mais confusos do que já estavam».

E, frisou, «há todo um conjunto e elementos do processo que não são claros. Não se percebe porque é que se fez constar do despacho final afirmações que não constam dos depoimentos das testemunhas. Tudo isto serviu para adensar mais as dúvidas e a desconfiança relativamente àquilo que aconteceu.

Vítor Parente não percebe que se passou com o processo judicial que, na sua opinião, evidenciou alguns aspetos estranhos: «Nada neste processo é normal: o facto de termos estado mais de 30 dias à espera, de uma maneira incompreensível, para nos serem facultados determinados elementos do processo, não é minimamente normal».

«E também não compreendemos por que razão não se faz referência a determinados elementos de prova, que constam no processo, por que razão não existem imagens da reconstituição do que se passou na praia do Meco, quando é óbvio que os pais gostariam de ver aquilo que o João Gouveia disse».

Segundo os últimos desenvolvimentos do caso, a roupa que João Gouveia, o único sobrevivente da tragédia no Meco, usava na noite fatídica, foi entregue à Polícia Judiciária (PJ) três meses depois e ainda se encontrava molhada. Imagens a que a TVI teve acesso mostram o traje académico entregue voluntariamente pelo dux da Lusófona à PJ. Dele, constava um par de calças, uma gravata, um colete, um gorro e um par de sapatos, que terão permanecido todo aquele tempo em casa do sobrevivente.