A «Operação Tridente» da Polícia Judiciária, em colaboração com a GNR e a Polícia Nacional espanhola, resultou «numa das maiores apreensões de haxixe dos últimos três anos», afirmou, esta terça-feira, o director nacional da PJ, Almeida Rodrigues.

O coordenador da operação, António Sintra, revelou à Agência Lusa que «este modo de operação é relativamente novo para a Polícia Judiciária (PJ)», neste caso o tráfico de haxixe, com destino à Europa, tinha por base «uma empresa legal com sede social na Moita», na margem Sul do Tejo, que se dedicava ao aluguer de embarcações de recreio para pesca e passeios no mar.

A maioria da informação deste processo teve origem na Polícia Nacional espanhola, que «já acompanhava as actividades criminosas há cerca de seis meses», afirmou o comissário chefe Ricardo Touro, daquela força de segurança de Espanha, durante a conferência de imprensa, esta tarde, junto à Torre de Belém, em Lisboa, sob fortes medidas de segurança.

O representante da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes (UNCTE) da PJ, António Sintra, e Ricardo Touro garantiram que «vão continuar a investigar as ramificações da organização internacional», com uma base importante em Portugal e «ligações transnacionais», considerando-a como uma «organização importante no tráfico internacional de haxixe».

A operação garantiu a apreensão de mais de sete toneladas de haxixe (7.250 quilos) e a detenção de seis pessoas de três nacionalidades (belga, inglesa e marroquina), seis lanchas com motores de grande potência e duas viaturas todo-o-terreno, referiu o coordenador da PJ, António Sintra.

As acções policiais tiveram lugar nas marinas de Vilamoura e Olhão, no Algarve, de onde resultou a apreensão de três lanchas com droga dissimulada no interior, além de buscas na sede da empresa na Moita em que foram apreendidas outras três embarcações, que eram utilizadas em transporte de haxixe a partir do Norte de África (Marrocos), de acordo com os esclarecimentos no local.

A «Operação Tridente» teve início há cerca de seis meses com «seguimento e investigação de suspeitos, tendo culminado este fim-de-semana com acções policiais», em vários pontos do território nacional, concluiu o coordenador da PJ.

A Polícia Judiciária, a Guarda Nacional Republicana (GNR) e a Polícia Nacional espanhola ressalvaram a interacção operacional e de informações como a chave do sucesso de uma das maiores apreensões de droga desde 2006, concluiu o director nacional da PJ.

A componente operacional no terreno teve a participação de militares da Unidade de Controlo Costeiro da GNR, de inspectores da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes da PJ e das autoridades espanholas.