A presidente da Mulherendo - Associação Portuguesa de Apoio a Mulheres com Endometriose apelou esta sexta-feira a uma maior sensibilização da classe médica para aquela doença, cuja principal característica é a dor durante a menstruação.

A Mulherendo realiza no sábado o Congresso Nacional da Endometriose, no Estádio Municipal de Leiria.

A presidente da associação, Susana Fonseca, explicou à agência Lusa que o objetivo do congresso deste ano «era abrir o evento à classe médica, para a necessidade de se informar e estar atenta à doença», cujo diagnóstico «ainda demora oito a dez anos a ser feito».

Segundo a dirigente, «o diagnóstico não é difícil», mas «a classe médica não está sensibilizada para a doença e para as consequências que a endometriose tem na vida da mulher».

Susana Fonseca lamenta, no entanto, a «fraca adesão» da classe médica.

«Contam-se pelos dedos de uma mão. Houve mais interesse por parte de enfermeiros que trabalham na área da ginecologia e obstetrícia e até das medicinas complementares».


A endometriose caracteriza-se por uma doença cujo «principal sintoma é a dor durante a menstruação, na zona pélvica, e nos casos mais graves durante todo o mês», adiantou Susana Fonseca.

A dirigente acrescentou que a dor «se estende às relações sexuais». Outros sintomas são a «obstipação e a diarreia».

«Sendo a característica principal da endometriose a dor, a doença é incapacitante para a mulher, não só em termos físicos, como psicológicos e relacionais», podendo provocar «infertilidade».

A presidente da Mulherendo afirmou também que a endometriose pode afetar a vida profissional das mulheres, porque «a dor, por vezes, impede-as de andar, o que leva a faltas no emprego».

A data do congresso foi escolhida «porque março é o mês em que internacionalmente se assinala a doença em todo o mundo».

Neste âmbito, no dia 28 de março realiza-se uma marcha em todo o mundo para alertar para a doença. Em Portugal, ocorrerá na cidade do Porto.