O Tribunal de Aveiro começou hoje a julgar um homem suspeito de ter burlado em 280 mil euros um empresário ligado ao ramo da construção civil, num esquema apelidado pela polícia como «golpe dos dólares negros».

O caso remonta ao período entre abril de 2012 e janeiro deste ano, quando o alegado burlão foi detido pela Polícia Judiciária (PJ) em Pombal.

Na primeira audiência do julgamento, o tribunal ouviu o empresário, de 54 anos, que diz ter sido burlado. A vítima relatou ao coletivo de juízes que foi contactada pelo arguido, um cidadão estrangeiro, que se fez passar por um investidor que teria meio milhão de euros para aplicar no setor imobiliário.

Mais tarde, o suspeito apareceu com uma «maleta» contendo «um cofre que estava cheio de notas pintadas a preto e um frasco com um líquido».

«Ele passou o líquido em cerca de meia dúzia de notas e passou-as por água e as notas ficaram intactas», afirmou a vítima, que ficou admirada, tendo inclusive pedido uma nota para depositar no banco, que foi aceite.

Durante os meses que se seguiram, o empresário disse ter entregado ao alegado burlão cerca de 280 mil euros para comprar a «solução química» para «limpar» as restantes notas. «Chegou a certa altura que já só queria recuperar o meu dinheiro», afirmou o empresário, adiantando que teve de contrair empréstimos junto de familiares e amigos para obter a quantia em causa.

Questionada pela juíza-presidente, a vítima admitiu que confiou «demasiado», mas referiu que o alegado burlão era «bastante convincente» e «fazia-se amigo».

«Quando vi que tinha sido enganado fiquei de morrer», desabafou.

O arguido de 29 anos, que está acusado de burla qualificada, optou por não falar ao tribunal.

Segundo a PJ, o detido, que está em prisão preventiva, encontrava-se referenciado por tráfico internacional de divisas, tendo-se deslocado por diversas vezes a Portugal.