Está a ser preparado, há cinco anos, um plano nacional para demências que não tem, ainda, data para conclusão e aprovação. A revelação foi feita esta terça-feira, em Bragança, pelo presidente do Conselho Nacional de Saúde Mental.

António Leuschner falava à margem de um seminário sobre o tema promovido pela Santa Casa da Misericórdia de Bragança, em que a Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS) reclamou a urgência deste plano dado o número crescente de idosos nos lares com estas patologias.

“Há duas recomendações da Assembleia da República já com cinco anos” nesse sentido e estão a ser desenvolvidos estudos no terreno, o que torna o processo mais demorado”, explicou o presidente do Conselho Nacional de Saúde Mental, citado pela Lusa. 

O responsável explicou que “estão a ser desenvolvidos pela Direção-Geral da Saúde e pelo Programa Nacional de Saúde Mental estudos no terreno, nas áreas de Lisboa, Coimbra e Norte, no sentido de definir estratégias que possam funcionar como guias de orientação, mas ainda não está nada definido em relação a quando se prevê que possa ser aprovado um diploma sobre esse assunto”.

António Leuschner justificou esta demora afirmando que “seria fácil traçar uma série de princípios orientadores que seriam ou não exequíveis”, mas que se optou por construir um plano “a partir das realidades concretas”.

“Aquilo que está a ser mais moroso do que o que se imaginava é o levantamento das situações, não só em termos do número que necessitam de ajuda como principalmente do tipo de cuidados que são necessários”.

“É preciso encontrar soluções para cada estadio de desenvolvimento da doença e é aqui que é necessário ajustar as respostas para [que] não fiquem vazias ou mal ajustadas às necessidades”.


“É verdade que seria desejável que tivesse sido mais rápido, mas não foi possível”, admitiu, adiantando que se estima que existam “entre 120 mil a 150 mil” idosos com algum tipo de demência em Portugal.

A urgência deste plano tem sido reclamada por associações como a Alzheimer Portugal e foi hoje reiterada, em Bragança, por João Dias, adjunto da CNIS, que pede uma maior parceria e apoio, sobretudo por parte da Saúde.

O dirigente afirmou que “as instituições não têm pessoal suficiente e com formação adequada para lidar com estas questões” e acabam por “sofrer por falta dessa política”.

“O que queremos é arranjar um patamar de colaboração e parceria com o Ministério da Saúde que nos permita atender esta população de uma forma adequada, tecnicamente ajustada às necessidades”


O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Bragança, Eleutério Alves, avançou que existem instituições confrontadas com “uma grande percentagem, na ordem dos 80 por cento” de utentes a sofrerem de alguma demência.

O seminário organizado hoje, em Bragança, tentou dar algumas ferramentas a técnicos e àqueles que trabalham com esta problemática e também servir de “alerta para o poder político no sentido de pensar bem em soluções para situações deste género”.

“O Governo tem de perceber que este fenómeno já é grave, que está numa dimensão muito grande e que é preciso criar estruturas em várias zonas do país para que possam receber as pessoas”, defendeu, argumentando que o tratamento “tem de ser distintivo do restante” prestado nos lares e que “obriga a um maior esforço humano e financeiro das instituições”.

O diretor distrital da segurança Social, Martinho do Nascimento, manifestou “todo o apoio” do organismo, realçando a parceria para este seminário “com os maiores especialistas na área da saúde mental”.

O dirigente já tinha anunciado a disponibilidade da celebração de acordos para a abertura, em 2016, de três unidades especializadas nas misericórdias de Bragança, Mogadouro e Mirandela.