Os pólens causadores de alergia chegaram mais cedo este ano e, com eles, a Primavera «mais precoce» dos últimos anos, disse à Lusa o presidente da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC), Mário Morais de Almeida.

«Estamos a ter níveis de pólens muito altos», com valores que se costumam atingir em Abril, adiantou Mário Morais de Almeida, a propósito da chegada da Primavera, que se assinala a 21 de Março.

Esta situação faz prever «bastantes alergias e grandes quantidades de pólens, que se vão manter durante bastante tempo na atmosfera», o que «prejudica» as pessoas que sofrem de alergias.

«O Outono já foi bastante mau com os ácaros, o Inverno também, por causa das infecções virais, e a Primavera é o culminar de tudo isto», sublinhou o responsável.

«Nós precisamos que o nosso sistema imunológico aprenda, se eduque e para isso tem de entrar em confronto com alguns agentes infecciosos que estão no ambiente», disse.

Morais de Almeida alertou ainda para o uso exagerado dos medicamentos para controlar a febre.

Segundo este, cerca de um terço da população portuguesa tem alergias e cerca de 20 por cento tem alergias a pólens.

«Há vários estudos que têm demonstrado que a rinite alérgica e a asma são cada vez mais frequentes, em particular nas crianças», sublinhou.

A rinite nas populações de 13 anos ronda um terço a nível nacional e a asma situa-se nos 12, 13 por cento, sublinhou Libério Ribeiro, presidente da secção de Imunoalergologia da Sociedade Portuguesa de Pediatria.

As doenças alérgicas, nomeadamente a rinite e asma, são das patologias mais «subvalorizadas» e «sub diagnosticadas» e menos tratadas do que deviam, denunciou, esta quarta-feira, o pediatra.

Libério Ribeiro disse que os pais são «os primeiros» a subvalorizar estas situações. Contudo, ainda há alguns médicos que consideram que estas doenças «passam com a idade».

Estas doenças contribuem para a perda de rendimento escolar e de qualidade de vida, alertou o pediatra imunoalergologista, frisando que é uma doença «altamente incomodativa».

As alergias têm vindo a aumentar devido a inúmeros factores, sendo o principal a questão genética, podendo fazer aumentar até 80 por cento a probabilidade de se ter uma destas doenças, no caso de ambos os progenitores padecerem da mesma doença alérgica.

Mas estas doenças também afectam os adultos, segundo o psicólogo Jorge Gravanita, adiantando que as pessoas ficam «mais vulneráveis».

«A pessoa pode ficar triste porque sente que o seu desempenho não está a 100 por cento e pode ficar abatida por isso», levando muitas vezes a alterações de humor, agressividade e irritabilidade.

São «os erros e os mitos» relacionadas com estas doenças que é preciso esclarecer, sublinhou o pediatra, Libério Ribeiro, defendendo que «quanto mais cedo se começa o tratamento, melhor é o prognóstico».