A Administração Regional de Saúde do Norte (ARS-N) confirmou esta segunda-feira, à Lusa, terem sido registados 13 casos de brucelose desde agosto no concelho de Baião.

Quatro desses casos obrigaram a internamento em duas unidades hospitalares do Porto, acrescentou aquele organismo, mas os doentes apresentam uma evolução clínica favorável.

Em comunicado, aquele organismo assinala também que «a informação disponível, obtida através da investigação epidemiológica, permite presumir que na origem dos casos estará a ingestão de queijo fresco produzido com leite não pasteurizado proveniente de animais infetados».

A ARS-N revela que «entre agosto e novembro de 2014 registaram-se 13 casos de brucelose em pessoas residentes no concelho de Baião», distrito do Porto, «número particularmente elevado, em relação ao que seria de esperar, naquele período de tempo e naquela área geográfica».

No comunicado sublinha-se que a Autoridade de Saúde Local informou os responsáveis pelas unidades prestadoras de cuidados de saúde sobre a ocorrência do surto, alertando para a necessidade do diagnóstico de novos casos de doença».

Foi também «pedida a colaboração das forças vivas da comunidade para informar a população sobre a doença: sintomas e formas de transmissão».

De acordo com a ARS-N, «as Autoridades de Saúde Regional e Local estão atentas à situação e mantêm-se em articulação com as entidades com responsabilidade na saúde animal».

Termina o comunicado com o anúncio de que a Direção de Serviços de Alimentação e Veterinária do Norte e a Divisão de Alimentação e Veterinária do Porto «estão a desenvolver as medidas consideradas necessárias para esta situação».

De acordo com informação da ARS-N, na região Norte ocorrem em média 10 a 20 casos de brucelose humana por ano, sendo mais frequente na região.

Já a Autoridade Local de Saúde de Baião disse à Lusa estar «identificada e controlada» a origem dos 13 casos de brucelose.

«Está identificado e todas as entidades com responsabilidade na área de saúde animal estão a tratar do caso. Está tudo controlado», afirmou Gabriela Saldanha, confirmando que a infeção foi provocada pela ingestão de queijo fresco produzido de forma artesanal.

Segundo a autoridade de saúde, o queijo foi vendido, porta a porta, por um particular, entre maio e julho.

Gabriela Saldanha admite que novos casos possam ser diagnosticados nos próximos dias, porque o período de incubação da doença, provocada por uma bactéria pode durar alguns meses.

Se houver sintomas como febre, dores de cabeça, suores ou arrepios, que podem ser confundidos com uma gripe, as pessoas devem recorrer a um médico de família para fazer avaliação clínica e laboratorial, recomendou.

Disse também que no concelho de Baião decorre uma sensibilização «no sentido de ser feita uma vigilância da saúde animal e evitar que as pessoas consumam queijos e leite não pasteurizados e comprem produtos certificados».

Sobre os 13 casos já identificados, Gabriela Saldanha disse que «todas as situações estão a evoluir favoravelmente», incluindo os quatro doentes internados em dois hospitais do Porto.

«Estamos em articulação com os hospitais. Tudo depende das pessoas, mas à partida pensa-se que em breve terão alta», previu.

Entretanto, fonte da Câmara de Baião confirmou esta tarde, à Lusa, terem sido detetados 13 casos de brucelose associados ao consumo de queijo fresco produzido no concelho, informação que hoje foi comunicada oficialmente à autarquia pela tutela.

O município diz estar a acompanhar a situação, tendo-se já disponibilizado para colaborar na resolução do problema.