A doença venosa afeta cerca de 30% a 40% da população mundial. Em Portugal, proporcionalmente, o problema é pior, devido à latitude e ao clima, segundo o cirurgião vascular José Silva Nunes, que esteve esta quinta-feira no «Diário da Manhã» da TVI. Cerca de 2 milhões de pessoas sofrem desta patologia que leva ao surgimento de varizes e outros problemas, podendo, em estado avançado, condicionar a qualidade de vida e até a mobilidade do doente. 

O sexo feminino é o mais afetado devido ao fator hormonal e à gravidez. As profissões que obrigam os indivíduos a estar muito tempo pé, o sedentarismo, a idade e obesidade são características que  também levam ao desenvolvimento ou evolução da doença. 

O sangue faz um longo caminho, contrariando a ação da gravidade, até chegar ao coração, onde é oxigenado, mas esse processo pode sofrer obstáculos e daí surgem as varizes. O cirurgião vascular explica melhor:

«A hipertensão venosa, muitas vezes causada pelo refluxo e disfunção das válvulas (que não coaptam e o sangue em vez de subir até ao coração, volta a descer) provoca um processo inflamatório, em que os glóbulos brancos libertam substâncias nocivas nas paredes das veias e depois continuam num ciclo vicioso, hipertensão - inflamação venosa - hipertensão»


Como diz o velho ditado «prevenir é o melhor remédio». Por isso, o melhor é ouvir os conselhos deste especialista: 

«- Evitar estar muito tempo de pé e sentado com as pernas cruzadas;
  - Evitar desportos como o squash e o ténis em que se exige um grande esforço dos músculos das pernas;
 - Evitar lugares quentes e roupa apertada;
- Usar calçado apropriado com uma altura de 4 centímetros;
- Tentar dormir com as pernas elevadas;
- Fazer exercício físico de intensidade média, como a ginástica e o ciclismo»


Quando as pessoas começam a sentir dores, peso nas pernas, formigueiro, mas não têm evidências de varizes, significa que estão na fase inicial da doença e, portanto, há que seguir as medidas higieno-dietéticas, que incluem as medidas de prevenção (supracitadas). 

Para medir os vários estádios da doença, existe uma classificação internacional de CEAP (Clínica, Etiologia, Anatomia e Patofisiologia) que vão do nível 0, em que não há evidências de derrames, nem varizes, mas o doente sente dor, até ao estadio final de nível 6, em que o paciente já se encontra com uma trombose venosa ou uma úlcera da perna. Entre estas fases, manifestam-se os derrames, edemas e varizes. 

Se o doente está na fase mais grave da doença e as medidas higieno-dietéticas não são suficientes, aplicam-se medidas terapêuticas, «através de drogas vasoativas e exames como o ecodoppler (para avaliar o estado das veias e se o doente teve antecedentes de tromboflebite)». 

O tratamento passa inicialmente pelo uso das meias elásticas, muito importantes para aumentar o retorno venoso e fazer uma contração auxiliar. Há, depois, outras medidas que vão desde a terapêutica química, como a escleroterapia, a secagem e a cirurgia por termoablaçao, radiofrequência e o vapor, por exemplo.

O cirurgião vascular salientou ainda a importância do acompanhamento médico em todos os processos de tratamento do doente.