Estão internadas cinco pessoas com a Doença dos Legionários no Grande Porto, anunciou esta segunda-feira o diretor geral da Saúde. A bactéria sido identificada em seis torres de arrefecimento de edifícios já encerrados e desinfetados.

Em conferência de imprensa no Porto, Francisco George explicou que desde a última semana de julho foram notificados 16 casos de pessoas com a Doença dos Legionários - mais conhecida por Legionella - no Grande Porto, dois dos quais foram adquiridos durante viagens ao estrangeiro, ou seja, com incubação da doença fora de Portugal.

Os doentes internados na rede hospitalar do Porto apresentam uma "evolução clínica favorável". Quatro dos 14 casos incubados no Grande Porto surgiram desde sexta-feira e que apesar de as fontes identificadas terem sido encerradas, tratadas e desinfetadas, poderá acontecer, “atendendo ao período de incubação, que ao longo dos próximos 10 a 12 dias surjam outros casos”.

“À luz do princípio de precaução e perante a identificação de colonização com bactérias naquelas torres, elas foram imediatamente encerradas e foram sujeitas a tratamento de acordo com os procedimentos que estão previstos para este fim. Não sabemos ainda se este aglomerado de doentes que estão nas camas hospitalares do Porto têm uma bactéria correspondente aquela que foi identificada”

"Foi possível identificar em seis equipamentos de torres de arrefecimento a existência da bactéria, em locais que produzem aerossóis. Esses equipamentos foram de imediato encerrados e sujeitos a tratamento de desinfeção", acrescentou.

Francisco George não identificou quais os edifícios públicos em causa, apesar da insistência dos jornalistas.  Invocou “razões de proteção dos interesses”, mas garantiu que “em termos de saúde pública já foram encerradas as torres e os edifícios” e por isso “já não há exposição a esse risco”.

Hotel fechado

Para além desta situação, o responsável esclareceu a questão que se prende com o hotel Boa-Vista. Houve uma notificação de um doente sueco e de uma doente francesa que tinham pernoitado naquele hotel, tendo depois das devidas análises a equipa de saúde pública demonstrado a existência de bactérias de legionella.

No entanto, o diretor geral da Saúde acautelou que ainda não foi possível comprovar que se a bactéria que agora foi identificada na rede interna do hotel, não na rede camarária, será ou não a mesma que fez adoecer os turistas estrangeiros.

“O hotel está fechado ao público agora. A autoridade de saúde local está em contacto com a administração do hotel para verificar o cumprimento das medidas e só após a regularização da situação e não existência de risco é que o hotel reabrirá”, explicaram.

Assim, distinguiu as duas situações: são “dois campos distintos, dois problemas diferentes, apenas coincidentes no tempo e no Porto.

Francisco George indicou ainda que há uma rede europeia que liga os diretores gerais de toda a União Europeia que recebe comunicações quando se diagnosticam casos de doenças de legionários em doentes cuja história demonstra que viajaram nos últimos 14 dias.

O diretor geral da Saúde deixou ainda bem claro que "esta situação é totalmente diferente daquela que se verificou em Vila Franca de Xira" no ano passado.

Dessa vez, em poucos dias surgiu "uma epidemia explosiva com 402 casos confirmados", com registo de 14 óbitos.