Os Bombeiros de Odemira estão sem dinheiro para pagar a totalidade dos salários mensais aos funcionários, só conseguindo pagar metade, devido a atrasos no pagamento de clientes e à obrigação de regularizar uma dívida à Segurança Social.

A corporação atravessa uma situação financeira «difícil», com as dívidas a funcionários, a fornecedores, à Segurança Social e à banca a rondar os 350 mil euros, disse hoje à agência Lusa o presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Odemira (AHBVO), Augusto Inácio.

Na origem deste problema, explicou o dirigente, está a redução em cerca de 40% dos serviços de transporte não urgente de doentes nos dois últimos anos e a acumulação de dívidas de entidades estatais, na ordem dos 40 mil euros.

O Centro Hospitalar de Setúbal deve mais de 20 mil euros à instituição e o Ministério Público de Odemira tem em dívida cerca de 13 mil euros, com faturas vencidas há mais de quatro anos.

A situação agravou-se recentemente, com a obrigação de liquidar uma dívida de aproximadamente 80 mil euros à Segurança Social, que implicou hipotecar o quartel da corporação como garantia do cumprimento do plano de pagamentos.

Em declarações à Lusa, Augusto Inácio não se conforma e afirma ter dificuldade em compreender a medida, que considera «uma farsa» e «sem justificação».

«Parece-me uma coisa extraordinária, hipotecar um quartel. Não sei qual é o valor comercial que aquilo tem. Se [o passivo] não for pago, isso serve para quê?», criticou.

Como consequência de todos os constrangimentos, a AHBVO está sem capacidade financeira para pagar a totalidade dos salários aos mais de 40 trabalhadores, tendo já os de janeiro sido pagos apenas pela metade.

Para Augusto Inácio, são os fornecedores e os funcionários que, «indiretamente», estão a contribuir para pagar as dívidas.

«Os funcionários ainda vão suportando com os salários em atraso até ao dia, que não será muito longe, em que não conseguirem trabalhar porque têm fome», afirmou.

O presidente da instituição não acredita que «o problema possa ser resolvido a curto prazo» e despedir trabalhadores está fora de questão.

«Não, porque isso era diminuir a capacidade instalada. Isso punha em causa a assistência, o socorro às pessoas», frisou.

Augusto Inácio apela, por isso, a que «haja uma ajuda» à corporação de Odemira, que, para encontrar o equilíbrio financeiro, precisa de, «pelo menos, mais 15 mil euros mensais».

Apesar de a corporação tencionar organizar alguns eventos e abrir uma conta bancária «solidária» para angariar fundos, o dirigente considera que se tratam de medidas «temporárias» e que é «essencial ter a garantia da sustentabilidade», cita a Lusa.

«Se não houver sustentabilidade, os bombeiros de Odemira, quando forem necessários para outros fins, nomeadamente para socorros e apagar incêndios, não existem», rematou o responsável.