A Polícia Judiciária alertou nesta quarta-feira para as falsas promessas de concessão de empréstimos financeiros; uma burla que tem afetado centenas de pessoas em todo o país nos últimos três anos.

O alerta da PJ surge após a realização de seis detenções por burla, na sequência de falsas promessas de concessão de empréstimos a pessoas que estavam em situação económica difícil.

A PJ avança também que foram constituídos arguidos diversos suspeitos no âmbito de investigações a duas dezenas de crimes de burla que envolveram centenas de pessoas em todo o país.

Fonte da PJ disse à agência Lusa que, nos últimos três anos, houve muitos portugueses, sobretudo com dificuldades ecónómicas e sem possibilidade de recorrer ao crédito junto das instituições bancárias e financeiras, a cair neste tipo burlas.

Nesse sentido, a PJ alerta para os cuidados que se deve ter quando se pede um empréstimo financeiro através de anúncios de jornais e da Internet devendo certificar-se de quem está por trás do anúncio e nunca efetuar qualquer adiantamento de dinheiro

«Devem ter muita cautela e não se iludirem com grandes facilidades e benefícios. Devem desconfiar sempre», adiantou a mesma fonte.

Numa nota divulgada nesta quarta-feira para explicar o modo de atuação deste burlões, a PJ refere que aqueles colocam anúncios em jornais ou em páginas na Internet para publicitar instituição financeira de grande solidez, empréstimos em condições muito vantajosas, sem necessidade de grandes burocracias e de quaisquer garantias.

A PJ refere também que mesmo os cidadãos que já não conseguem recorrer ao crédito junto das instituições bancárias e financeiras têm garantias na concessão do crédito.

Os anúncios indicam diversos números de telefone estrangeiros, normalmente telemóveis, e endereços eletrónicos para onde os eventuais interessados devem contactar, adianta a nota.

A PJ explica que, na sequência de um primeiro contacto por parte dos interessados, estes são convidados a preencher alguns formulários e a remetê-los, por regra, para endereços eletrónicos, ficando depois a aguardar a análise do processo e eventual aprovação do empréstimo solicitado.

Passados alguns dias sobre o envio dos formulários, os interessados são contactados pelos burlões a informar que o empréstimo solicitado foi aprovado.

A Polícia Judiciária refere que os burlões informam as alegadas vítimas que, para o dinheiro ser disponibilizado, vão ter de fazer uma transferência prévia, cujo montante varia de caso para caso, dependendo do pagamento de seguros, taxas e despesas inerentes à concessão do empréstimo.

Depois de efetuarem tais transferências, que em muitas das situações investigadas atingiram os milhares de euros, as vítimas acabam, invariavelmente, por não receber o montante de qualquer empréstimo, ao contrário do que lhes fora prometido, explica a PJ.