Convencer os 10 milhões de portugueses do valor do seu país é um primeiro passo para promover Portugal no mundo, onde ainda é muito desconhecido, defenderam esta segunda-feira alguns dos membros do Conselho da Diáspora Portuguesa.

«O grande problema de Portugal é que as pessoas cá dentro não sabem o valor que nós temos», disse aos jornalistas Ana Miranda, diretora do Art Institute, em Nova Iorque, à margem do primeiro encontro anual do Conselho da Diáspora Portuguesa, que decorreu em Cascais.

Com 52 conselheiros, representando 15 países e quatro continentes, o Conselho da Diáspora reúne «portugueses influentes» para, em rede, contribuírem para o reforço da reputação de Portugal e para o desenvolvimento e prosperidade do país.

Ana Miranda, ela própria conselheira de Portugal no mundo, defendeu que é preciso «convencer 10 milhões» de que Portugal tem valor, assim como é necessário promover o país no estrangeiro.

Atualmente, disse, Portugal «é um péssimo vendedor da sua imagem».

A mesma opinião tem o também conselheiro Joaquim de Almeida. O ator português disse que «o país tem de ser promovido porque não é muito conhecido» no estrangeiro. Referindo-se em particular aos Estados Unidos, onde trabalha regularmente, Joaquim de Almeida disse que, se na costa Leste ainda se ouve falar do país, «na Califórnia, Portugal não existe».

João Fernandes, subdiretor do museu Rainha Sofia de Madrid, disse por seu lado que os portugueses não sabem «quão conhecidos são muitos dos seus artistas e como alguns dos seus melhores embaixadores são muitas vezes obras de arte feitas por portugueses».

Também conselheira na área da Ciência, Belinda Xavier, do Centro Hospitalar Universitário Vaudois (CHUV), na Suíça, considerou ser de «extrema importância perceber que Portugal não é só problemas».

Belinda Xavier lamentou que não haja uma imagem de Portugal e prometeu mostrar, como conselheira, aquilo que Portugal tem de bom. É que embora o conhecimento de Portugal seja escasso fora de portas, quando conhecem, os estrangeiros tendem a gostar.

«É impressionante. As pessoas que eu conheço e que consegui que viessem a Portugal, agora só querem voltar», exemplificou Joaquim de Almeida.

Ana Miranda defende que uma forma de fazer passar a imagem de um Portugal moderno é através da cultura. «Quem vem a Portugal gosta e isto nunca falha, portanto só temos de tentar traze-los cá e, através de um filme, de uma música, consegue-se passar mensagens que de outra forma provavelmente não era possível», disse a responsável do Arte Institute, exemplificando que toda a gente conhece Nova Iorque, mesmo sem nunca lá ter ido.

Além da cultura, também nos negócios há formas de apoiar Portugal. João Picoito, presidente da Nokia Siemens Networks para a Europa do Sul, Leste e Central, aceitou ser conselheiro de Portugal no mundo para ajudar Portugal, para «contribuir para melhorar a imagem do país e ajudar a atrair investimento».

«No meu caso concreto, na empresa em que desenvolvo atividade, facilitamos e usamos esta rede como facilitadora para estabelecer contactos que tiveram um resultado positivo, com um investimento importante em Portugal em 2013», disse.

O também conselheiro António Horta Osório, presidente executivo do Lloyds Bank, defendeu que o grande objetivo do Conselho da Diáspora Portuguesa é «criar um círculo em que as pessoas podem destacar Portugal no estrangeiro e criar um vínculo entre si que também contribua para apoiar Portugal sempre que possível».

Como resumiu a jornalista da National Geographic Mariana Van Zeller ao descrever o que a levou a aceitar ser conselheira de Portugal no mundo: «Citando uma grande frase do Kennedy, ask not what my country can do for me but what I can do for my country» (não perguntes o que o país pode fazer por ti, mas o que podes fazer pelo país), como registou a Lusa.