Centenas de crianças, jovens e idosos aproveitaram o Dia Europeu Sem Carros para pedalar, caminhar ou fazer uma aula de fitness na Avenida Marginal, que encerrou hoje de manhã ao trânsito entre Caxias e a Praia da Torre.

De skate, triciclo, bicicleta ou trotinete todos quiseram aproveitar o passeio na Marginal liberta de carros, mas com várias atividades ao longo do percurso que apelavam a formas alternativas de mobilidade, como bicicleta, transportes públicos ou simplesmente andar a pé.

Vera aproveitou a iniciativa para passear com a filha, no carrinho de bebé, longe do trânsito e da poluição.

Para Vera, é importante este tipo de iniciativa: «Dá-nos a possibilidade de fazer exercício físico e ainda estamos à beira mar, o que é espetacular».

Todos os dias, Renato Caldinhas vai de bicicleta para o trabalho, mas não quis perder a oportunidade de passear com a filha de bicicleta pela Marginal.

A Marginal «já tem uma zona pedonal até ao Guincho, mas realmente há uma liberdade especial, nomeadamente poder estar aqui na companhia da minha filha, neste momento fantástico», comentou à Lusa, enquanto a filha Leonor dizia que «é muito giro poder andar [de bicicleta] num sítio como este».

Renato vive em Linda-a-Velha e vai de bicicleta para Lisboa, uma forma de fazer exercício físico e, ao mesmo tempo, poupar algum dinheiro.

«Ando de bicicleta para comer bem e me sentir à vontade. [Além disso] faz bem à saúde (...) e ainda poupo em transportes», disse, contando que o dinheiro que consegue poupar dá para restaurar a bicicleta e ir almoçar com os filhos ao centro comercial.

Apesar dos automobilistas já terem mais respeito pelos ciclistas, Renato considerou que ainda «é um risco constante» andar de bicicleta na cidade.

«É sempre um risco, mas andarmos de carro também é um risco», comentou, considerando, no entanto, que «a cultura a este nível tem vindo a melhorar», apesar de ainda «não ser a ideal».

«Não estamos em Amesterdão, mas possivelmente, dentro de cinco ou seis anos estamos lá», rematou Renato Caldinhas, orgulhoso da sua bicicleta com 35 anos, que já «percorreu muitos quilómetros«.

A viver há 53 anos em Oeiras, Maria Emília não quis perder a oportunidade de percorrer a Marginal a pé.

A Marginal não pode fechar muitas vezes, porque «é a estrada principal que temos aqui», mas «é bom» poder fazer este passeio sem o barulho dos carros e sem a poluição, adiantou.

Maria Emília contou que faz muitos passeios pela Marginal à noite, vai Rock in Rio e participa na corrida do Tejo. «Sou uma caminheira», comentou, com um sorriso rasgado.

Vinte e dois municípios do país aderiram ao Dia Europeu sem Carros, uma iniciativa inserida na semana da mobilidade, que começou na segunda-feira e termina hoje, que teve como tema «Ar limpo ¿ Está nas tuas mãos».