«Nunca é tarde» é a mensagem central da nova campanha do Governo contra a violência doméstica, que é hoje lançada, em Lisboa, e pretende alertar a sociedade para a violência exercida contra as mulheres idosas em contexto familiar.

Apresentada no Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, a campanha visa também «chamar a atenção de toda a comunidade para aquilo que é preciso fazer relativamente à violência que for detetada sobre estas pessoas», disse à agência Lusa a secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade, Teresa Morais.


Como se trata de um crime público, «toda a comunidade tem responsabilidade nos casos que conhece e não denuncia», explicou Teresa Morais.

A campanha também quer mostrar a estas mulheres com mais de 65 anos vítimas de violência, muitas delas há décadas, que «existem apoios, existem meios de que se podem socorrer e que nunca é tarde para viverem uma vida sem violência».

Pretende ainda «chamar a atenção da comunidade que vive à volta destas pessoas para o facto de esta ser uma violência ainda mais silenciada do que a violência doméstica por definição já é», disse Teresa Morais.

É um crime «muito difícil de prevenir», porque ocorre «entre quatro paredes e muitas vezes sem a perceção das pessoas mais próximas» e, quando acontece com «pessoas mais frágeis, mais idosas, mais vulneráveis, é ainda mais invisível», sustentou.


Teresa Morais sublinhou que está demonstrado que «homens e mulheres de maior idade são vítimas de violência na família», que assume diversas formas, sendo as mais comuns a violência psicológica, financeira e física, mas é uma situação que atinge particularmente as mulheres.

Citando dados do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) relativo a 2013, Teresa Morais referiu em 81% dos casos da violência doméstica reportada às forças de segurança as vítimas foram mulheres e que oito por cento das participações se referiram a vítimas com mais de 65 anos.


«Aquilo que se verifica é que o facto de se ser mais velho não muda este panorama. A violência doméstica tem uma particular prevalência contra as mulheres em todas as faixas etárias e, portanto, também na faixa etária acima dos 65 anos», frisou.

A iniciativa é lançada hoje, numa cerimónia na Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva, em Lisboa, e será divulgada em rádios, televisão e em cartazes que serão afixados pelo país.

A campanha é uma das 39 iniciativas que fazem parte das III Jornadas Nacionais Contra a Violência Doméstica, que decorrem até 05 de dezembro.

No que diz respeito às várias iniciativas para assinalar o dia, o país une-se na condenação a todas e quaisquer formas de violência contras as mulheres.

Em Lisboa, a Associação para o Planeamento da Família assinala a data com a iniciativa «3 Gestos – Pela erradicação das práticas tradicionais nefastas», promovida pela Rede Europeia «Create Youth Network» e que decorre simultaneamente nas cidades de Lisboa, Amsterdão e Londres.

A Rede 8 de Março, com o apoio da Galeria de Arte Urbana do Departamento de Património Cultural da Câmara Municipal de Lisboa, vai pintar o mural «Chega de violência machista! Pelo fim das violências contra as mulheres», e a União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) promove a 4.ª Marcha contra a Violência Doméstica e de Género.

A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) assinala o dia com uma ação de sensibilização através das plataformas «online», que passa pela partilha de fotos pessoais (as conhecidas selfies) através do Instagram, acompanhadas da mensagem «Basta que me batas uma vez».

A APAV aproveita para lembrar que o fenómeno da violência doméstica contra as mulheres afeta vítimas de todas as condições e estratos sociais, condição que abrange igualmente os agressores.