As análises de rotina pedidas pelos médicos vão passar a incluir testes à infeção VIH. Uma «uma mais-valia» que vai ajudar no rastreio precoce da doença, segundo a presidente da Liga Portuguesa Contra a Sida. Neste 1 de dezembro, assinala-se o Dia Mundial da Luta Contra a Sida e há várias iniciativas a decorrer pelo país fora, para lembrar uma doença que, desde 1985, mudou a vida a mais de 47 mil pessoas em Portugal. 

«Os testes são uma mais-valia para todos (…) desde que não seja obrigatório, isto porque a obrigação implica também uma preocupação para todos nós quando se trata de uma situação que leva à discriminação e ao estigma»


Maria Eugénia Saraiva comentava, em declarações à agência Lusa, a informação publicada esta segunda-feira no Diário de Notícias, de que a generalização do teste faz parte da nova norma para o diagnóstico e rastreio da doença, que já foi concluída pela Direção-Geral da Saúde (DGS) e que será publicada em breve. 

«Quanto mais cedo fizermos o teste mais cedo e mais facilmente saberemos o estado serológico e o tratamento será mais efetivo. O que se está a passar agora é que muitas pessoas chegam ao hospital já tarde, com infeção e depois o tratamento não é o mais eficaz, já é tarde»


O doente será sempre informado de que lhe vai ser pedida a análise e pode sempre recusar. Até aqui o doente tinha de autorizar por escrito ou oralmente que a queria fazer, refere o jornal, citando a DGS.

«É importante fazer o teste. O importante é sabermos se estamos infetados, se estamos a infetar o outro. Esta tem sido a estratégia da Liga e por isso adotámos desde 2012 a unidade móvel de rastreios que tem vindo a fazer testes, não só aos VIH, mas também às hepatites víricas e doenças sexualmente transmissíveis junto de populações mais vulneráveis em Lisboa, Loures e Odivelas»


Maria Eugénia Saraiva contou que tem havido uma grande adesão e procura do teste na carrinha, que tenta abranger toda a população.

«Ainda há muito a fazer é um caminho longo a percorrer. É importante perceber e nunca é demais repetir que esta doença pode atingir tudo e todos e que temos de prevenir, de perceber o nosso estado de saúde. Temos de passar a mensagem aos nossos jovens de que não existe vacina, não existe cura, só tratamento», concluiu.

Iniciativas de sensibilização 

Para assinalar a efeméride, o Grupo de Mulheres com Intervenção na Sociedade da SER+, Associação Portuguesa Para a Prevenção e Desafio à Sida, promove a conferência «VIH e os Afetos», com o objetivo de debater a problemática do VIH em Portugal. A conferência, que irá decorrer na Sala do Senado, na Assembleia da República, terá como foco a «descriminação das pessoas que vivem com a doença, e conseguir resoluções nesta matéria», adianta a Lusa..

A Abraço vai realizar um conjunto de ações com o objetivo de «continuar a sensibilizar a população portuguesa para a problemática do VIH/sida». O último relatório do Instituto Nacional Dr. Ricardo Jorge (INSA) refere que se encontravam notificados, cumulativamente, 47.390 casos de infeção VIH, dos quais 19.075 em «estadio sida».

Iluminar a Fonte Luminosa na Praça do Império, em Lisboa, com luzes vermelhas, é uma das ações que a associação vai realizar.

O dia também é marcado pela Abraço, com a realização da 22.ª Gala da Abraço, no Teatro São Luiz, em Lisboa, com ações de rua, que incluem rastreios ao VIH, na Praça dos Leões, no Porto, e um debate sobre o «investimento futuro na prevenção primária e secundária», também no Porto.

A Universidade Católica vai acolher, entre hoje e quarta-feira, o Congresso Nacional de VIH, doenças infeciosas e microbiologia clínica, em que será discutido o futuro da terapêutica anti retrovírica, a simplificação dos tratamentos, a coinfecção VHC/VIH e o surto recente de legionella em Portugal.

Segundo os dados do INSA, quase três casos por dia de infeção por VIH/sida foram diagnosticados no ano passado, em Portugal, num total de 1.093 situações, o que equivale a uma taxa de 10,5 novas infeções por 100.000 habitantes.

Quanto aos óbitos, foram notificados 226 mortes ocorridas no ano passado em pessoas com a infeção por VIH, 145 das quais no «estadio sida».