Um projeto português para travar a infeção do vírus da sida foi um dos vencedores de um concurso europeu e recebeu um prémio de 100 mil euros. O investigador Pedro Borrego, responsável do projeto, esteve no Diário da Manhã esta segunda-feira, o dia mundial da luta contra a sida.
 
«O trabalho que nós propomos, se atingirmos de fato os nossos objetivos, é uma cura total da infeção, ou seja, a eliminação do VIH do indivíduo infetado», explicou Pedro Borrego, no Diário da Manhã da TVI.
 
Esse processo será feito através de duas estratégias, uma que pretende impedir que o vírus se propague para novas células e outra que pretende atuar no vírus que se encontra em células afetadas. Os dois estratagemas, complementares, serão feitos através de terapia genética, introduzindo material genético nas células do indivíduo.
 
«O material genético vai permitir a expressão de uma pequena proteína que no exterior da célula se liga ao vírus e impede que ele entre na célula nova», explica o investigador.
 
«O material genético vai permitir a expressão de um sistema de edição genómica, que de uma forma dirigida e muito específica vai atuar no genoma do vírus, que se encontra em células já afetadas, e provoca alterações irreversíveis. Essa célula não poderá produzir novos vírus infeciosos», disse Pedro  Borrego.
 
O trabalho foi proposto a ser realizado em dois anos, realizando-se trabalhos laboratoriais « in vitro» e «com isolamento de células de indivíduos infetados para provar o conceito que ambas as estratégias são eficazes». Assim que esse objetivo for atingido, a fase seguinte será a dos testes em animais, mas não está incluída nesse prazo.
 
Nos últimos cinco anos já se conseguiram vários progressos significativos na área de investigação do VIH. O único caso de sucesso, destacado por Pedro Borrego, é o chamado «paciente de Berlim» que conseguiu que o vírus desaparecesse através de um transplante de medula óssea.
 
O investigador acrescenta ainda que até 2010, falar da cura do HIV era algo meramente teórico e académico, mas que agora é possível começar a concretizar esse objetivo.
 
«Ainda estamos longe de poder dizer que existe uma cura. A expectativa é de que, num horizonte de 10 a 20 anos, sejam feitos progressos significativos», acrescentou o investigador.
 
No projeto também estão envolvidos Nuno Taveira e Helena Florindo. Pedro Borrego irá receber o Prémio Partnering for Cure Research Funding 2014, no X Congresso Nacional VIH-SIDA da Associação Portuguesa para o Estudo Clínico da SIDA, em Lisboa, esta segunda-feira.