Uma escola básica do segundo e terceiro ciclos da Grande Lisboa serviu frango cru aos alunos na segunda-feira. As imagens do almoço na EB23 Noronha Feio, em Queijas, Oeiras, foram partilhadas nas redes sociais.

E não foi o acaso de uma refeição servida. Mais do que uma imagem mostra ângulos diferentes de uma carne que só pode chegar ao prato bem cozinhada. Curiosamente, foi na data em que se celebrava o Dia Mundial da Alimentação.

Não sabia que fazia mal e comi. E os meus colegas também comeram", contou à TVI um aluno do 2.º ciclo

"A professora verificou que o frango estava cru e disse aos alunos para não comerem o frango e comerem só o arroz. Acontece, como se vê nas fotos partilhadas, que o sangue do frango já estava espalhado e muitos miúdos nem o arroz comeram, como foi o caso do meu filho", descreveu a mãe de outro aluno do 2.º ciclo.

Para mim, isto é impensável. Estamos a falar de crianças, de jovens, de comida, era impensável ver uma coisa destas no prato de uma criança. Isto é uma situação de saúde pública, isto é uma situação grave que se está a passar com as nossas crianças", disse à TVI a presidente da Associação de Pais daquela escola, Isabel Amaral Nunes.

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Mas há mais fotografias divulgadas nas redes socias da comida servida nas cantinas escolares do país. E além da má qualidade das refeições, pais e estudantes queixam-se da pouca quantidade.

Num vídeo cedido pela Federação Regional de Lisboa das Associações de Pais (FERLAP) vê-se um aluno a tentar comer um pastel de bacalhau, no qual não consegue espetar o garfo, apesar da insistência.

Dois diretores de escolas do distrito de Lisboa admitiram à TVI que há falhas na quantidade de comida servida e terá sido esse o problema na Noronha Feio. Ou seja, "houve uma falha a nível de quantidade e as pessoas que estavam no refeitório decidiram improvisar", contou Isabel Amaral Nunes. 

A direção da EB23 Noronha Feio respondeu à TVI, em comunicado, que a responsabilidade de terem servido frango cru é da deficiente gestão do pessoal da cozinha gerida pela empresa que está à frente do refeitório.

Contactada pela TVI, a Uniself, responsável pelo catering, até momento não prestou quaisquer declarações.

Já o Ministério da Educação não fala, para já, no caso concreto da EB23 de Queijas, mas adianta que, caso as regras do contrato com a empresa que fornece as refeições não estejam a ser cumpridas, as penalidades podem ir de uma multa até à rescisão do contrato.