A imprensa portuguesa está a deixar de lado o primeiro de abril e cada vez mais as mentiras escasseiam ou são menos elaboradas, mas gigantes da comunicação como o Google teimam em manter a tradição.

No passado, o «dia das mentiras», que se assinala na terça-feira, chegou a ter honras de primeira página nos jornais mas, nos últimos anos, tem escasseado a imaginação. Ao contrário, o motor de pesquisa mais conhecido, o Google, tem surpreendido.

Nos últimos anos, tem «brindado» o mundo com inovações surpreendentes: começou com o «mental plex» (leitura dos pensamentos, pelo que não é necessário escrever o que se quer pesquisar) e seguiu pelo Google Nose (pesquisa por cheiros), pelo Google Romance (pesquisa da «alma gémea») ou pelo Google Translate For Animals, uma ferramenta de tradução dos pensamentos dos animais domésticos.

Na última década e meia, tem sido a empresa quem mais tem surpreendido pela imaginação: Que usava pombos para aumentar a rapidez das buscas, que ia criar um centro de pesquisa na Lua, que conseguia enviar «emails» para o passado, que ia usar as sanitas para fornecer internet de banda larga, ou que conseguia fazer buscas em páginas antes de elas existirem.

Há quatro anos, também o YouTube dizia comemorar o seu centenário e, no ano seguinte, que estaria à venda todo o conteúdo da página, em DVD.

No passado também a imprensa portuguesa foi imaginativa. Autocarros com três pisos estavam a chegar, o Centro Cultural de Belém estava a afundar ou a Câmara de Lisboa estava a mudar-se para um hotel. Mais recentemente foi noticiado que a troika exigia que a velocidade da internet baixasse.

No estrangeiro sobressai o «humor britânico». Em 1981, o diário «The Guardian», do Reino Unido, dizia que cientistas tinham «dominado» o tempo e garantido um dia radioso para o casamento de Carlos e Diana (29 de julho desse ano) e chuva torrencial para zonas menos «leais» à coroa.

Mais recentemente, «The Sun» noticiou que o clube de futebol «Arsenal» ia lançar um perfume com cheiro a estádio e a BBC mostrou imagens «inéditas» de pinguins voadores, com a ajuda do «Monty Python» Terry Jones.

Tudo em nome de uma tradição de contar mentiras no 1.º de abril. E tudo com origem provável em 1564, quando o rei francês Carlos IX, ou a sua mãe, fez publicar um decreto alterando a data de início do ano civil, que passou de 01 de abril para 01 de janeiro.

Como na altura do ano novo se costumavam trocar presentes, os adeptos do novo calendário mudaram a tradição para janeiro, mas mantiveram subtilmente o costume de abril, desta vez, porém, com presentes falsos e falsas mensagens de felicitações, que resultaram depois em partidas e mentiras.

A tradição foi posteriormente alargada a toda a Europa, com a difusão da cultura francesa, ao continente americano e ao resto do mundo, acabando por se contar mentiras em toda a parte.