A Direção-geral da Saúde avisou esta quarta-feira que o leite não é um antídoto do monóxido de carbono, principal componente tóxico dos incêndios, lembrando que a inalação de fumos pode provocar danos nas vias respiratórias.

Num comunicado emitido a propósito dos incêndios florestais, a Direção-geral da Saúde (DGS) alerta para o que chama “o mito do leite”, indicando não servir de antídoto do monóxido de carbono e sublinhando que a sua utilidade não vem descrita em artigos científicos.

“Admitiu-se que o leite era um antídoto do monóxido de carbono que não é (“não se dá leite nos hospitais”) e não deve atrasar a referenciação e o tratamento a nível hospitalar correto”, refere a nota da autoridade de saúde.

Sobre os efeitos na saúde dos incêndios, a DGS sintetiza que a inalação de fumos ou de substâncias irritantes químicas e o calor podem provocar danos nas vias respiratórias, sendo as crianças, os doentes respiratórios crónicos e os idosos os mais vulneráveis.

“Existem lesões de inalação devidas ao calor que provocam obstrução e risco de infeção. Além da lesão pelo calor, há possibilidade de lesão pelas substâncias químicas do fumo que provocam inflamação e edema com tosse, broncoconstrição e aumento das secreções. Existe ainda a possibilidade de surgirem lesões mais tardias e mais graves, com destruição celular e, que, em casos extremos, causam falência respiratória”, especifica a nota.

Em caso de inalação de fumos, a DGS aconselha a retirar a pessoa do local e evitar que respire o fumo ou esteja exposta ao calor; a pesquisar sinais de alarme e verificar presença de queimaduras faciais, sinais de dificuldade respiratória ou alteração de estado de consciência.