Os funcionários do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) e do Aeroporto Internacional de Faro participaram esta sexta-feira numa ação de esclarecimento que contou com a presença do Diretor-Geral da Saúde sobre os cuidados com o vírus Ébola.

Em primeiro lugar, importa «saber de onde partiu o viajante que iniciou a sua viagem e que chega agora a Portugal em termos deste controlo sanitário de fronteiras», explicou à margem do encontro o Diretor-Geral da Saúde (DGS), Francisco George.

Aquele responsável vincou que as medidas são essencialmente informativas e, se o doente já apresentar manifestações de doença, é cuidado de «forma a garantir o isolamento, o diagnóstico preciso e o tratamento nas melhores condições».

A preocupação dos funcionários do SEF sobre os cuidados a ter a propósito do vírus Ébola motivaram a direção a solicitar ações de esclarecimento à DGS, que acabaram por ser disponibilizadas aos restantes funcionários do aeroporto, explicou aos jornalistas o diretor nacional do SEF, Luís Gouveia.

A Organização Mundial de Saúde colocou o nível de alerta 3, numa escala de 6 em termos de epidemias, mas Francisco George diz que a nível nacional a situação é de reforço de atuação e de vigilância e de informação dos cidadãos em geral e em particular os viajantes.

Aos profissionais que trabalham nos aeroportos é solicitada atenção ao percurso dos viajantes, verificar se estiveram nos últimos 21 dias na Nigéria, na Serra Leoa, na Libéria ou na Guiné-Conacri e perceber se aparentam estar doentes, aquilo que os profissionais designam por critérios clínico e epidemiológico.

«A forma de transmissão é exatamente devido à proximidade e ao contacto direto ou indireto com líquidos orgânicos infetados como a saliva, os vómitos, a urina e o sangue», explicou aquele responsável.

A Direção Geral de Saúde está a indicar o número 800242424 para aconselhamento dos cidadãos e tem uma linha direta disponível para médicos e funcionários do SEF para agilizar a atuação em caso de suspeita, nomeadamente o transporte adequado para os dois hospitais de referência a nível nacional e condições de isolamento.

Questionado pela Lusa a propósito das experiências que laboratórios norte-americanos estão a fazer com um soro para combater o vírus Ébola, Francisco George disse estar atento mas que não acredita que seja disponibilizada uma vacina nos próximos meses.

«Há ainda pouca informação a circular sobre estas investigações mas é importante que estes ensaios sejam feitos e se reconheçam progressos», referiu o diretor-geral da saúde observando que dado que são poucos os casos em estudo não é possível precisar se os resultados seriam os mesmos sem a medicação utilizada.