A Direção Geral de Saúde está a acompanhar o primeiro caso de contágio do vírus Ébola em Espanha, mas garante que não vai elevar o nível de alerta em Portugal.

«Ainda não sabemos exatamente qual foi a questão central que explica esta situação (contágio de assistente de enfermagem), que naturalmente é preocupante, mas que não faz elevar o nível de alerta em Portugal», explicou à TVI24 Francisco George, diretor-geral de Saúde (DGS).

Nesta segunda-feira, a DGS e vários membros de organismos públicos e hospitais de referência, estiveram reunidos para «rever, à luz dos novos conhecimentos, as normas que em Portugal estão em vigor». No entanto, segundo explicou Francisco George, esta reunião não foi marcada na sequência do caso espanhol, que só ficaram a saber posteriormente. 

 

Madrid está em estado de alerta

A auxiliar de enfermaria que nesta segunda-feira acusou positivo em dois testes do vírus do Ébola chegou cerca das 23:40 (hora de Lisboa) ao Hospital Carlos II de Madrid, onde será tratada. A paciente estava numa outra unidade de saúde da capital espanhola, no Hospital de Alcorcón, e deslocou-se sob escolta de uma dezena de carros da polícia nacional, da guardia civil e por agentes em motociclos.

Apesar do enorme aparato, a comitiva abandonou as instalações hospitalares de Alcorcón pela porta traseira, descreve o site do jornal «ABC», acompanhada por pessoal que vestia trajes especiais para evitar o contágio, segundo o protocolo.

A auxiliar de enfermagem atendeu o missionário Manuel Garcia Viejo, vítima mortal de Ébola no passado dia 25 de setembro num hospital madrileno, e também Miguel Pajares, falecido a 12 de agosto. Os primeiros sintomas surgiram dia 30 de setembro, quando se encontrava de férias, mas só nesta segunda-feira foi confirmado o contágio do vírus do Ébola. Cerca de 30 pessoas com quem contactou estão de quarentena. 

Esta noite, a delegada do Governo espanhol apelou à calma e pediu para evitar o alarmismo perante o primeiro caso de infeção por ébola no país, considerando que deve ser revisto todo o protocolo para perceber o que falhou.

Numa entrevista ao programa 24 horas, da Televisão Espanhola (TVE), Cristina Cifuentes desejou uma recuperação rápida à auxiliar de enfermagem contagiada com ébola e defendeu que devem ser assumidas «responsabilidades políticas com caráter geral», já que é importante saber o que se passou.

Defendeu ainda a transparência, assim como a informação da população, de modo a que a «desinformação»não provoque alarme social, sublinhando que deve ser averiguado o que falhou para que não volte a acontecer.

Cristina Cifuentes pediu ainda aos espanhóis para que desconfiem dos rumores que «circulam pela Internet» depois de se saber deste caso de contágio em Espanha e assegurou que não se pode duvidar de que as autoridades sanitárias estejam a rever o protocolo.


 
Ébola transmite-se mais rapidamente do que se pensava

«O que sabemos é que o vírus, tudo indica, transmite-se mais facilmente do que se esperava no início, mas sobretudo quem está em risco é o pessoal da linha da frente. É sobretudo quem examina o doente antes de saber que ele está com ébola. É o caso de médicos, enfermeiros, pessoal de enfermaria», explicou o responsável pela DGS.

O diretor-geral de Saúde destaca que Portugal tem condições para lidar com o vírus caso este surja em solo português. «Temos uma equipa muito bem preparada no INEM, com ambulâncias e, se necessário, transporte aéreo, temos pessoal especializado de diagnóstico, em virologia, para este fim, no Instituto Ricardo Jorge, temos dois hospitais muito bem preparados», exemplificou.

Em Portugal já houve quatro casos suspeitos de Ébola, mas todos deram negativo.  O vírus de Ébola - que já causou mais de 3.400 mortos desde que reapareceu em março - tem um período de incubação de entre dois e 21 dias.

Na primeira fase da doença os sintomas incluem dor de cabeça, febre, dor de garganta, dor muscular e debilidade intensa. A segunda fase inclui sintomas como vómitos, disfunção hepática e renal, hemorragias internas e externas, diarreia.

A mortalidade do atual vírus é de cerca de 54%, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) 
O contágio entre humanos ocorre por contacto direto com órgãos, secreções ou sangue, com o vírus a entrar através de mucosas ou pequenas feridas na pele.