A Direção-geral da Saúde recomenda que as colonoscopias a realizar no Serviço Nacional de Saúde sejam feitas com sedação por um médico anestesiologista e que o clínico que faz o exame não seja envolvido no processo de sedação ao doente.

Segundo uma norma clínica colocada em discussão pública hoje no site da Direção-geral da Saúde (DGS) «a sedação(anestesia) tem de ser realizada por médico anestesiologista».

«O médico gastrenterologista que procede ao exame não deve ser envolvido no processo de sedação», refere ainda o documento.

Esta norma da DGS surge na sequência de um despacho do Governo que determina que todas as colonoscopias no Serviço Nacional de Saúde (SNS) passem a poder ser feitas com recurso a sedação a partir de terça-feira, uma forma de reduzir o receio com a realização deste exame.

Depois deste despacho, a Ordem dos Médicos veio avisar que o Ministério da Saúde estava a propor uma sedação inadequada para as colonoscopias, que poderia pôr em risco os doentes.

Segundo a Ordem, a tabela de preços associada ao despacho que vem permitir a sedação nas colonoscopias prevê que a sedação seja feita por gastrenterologistas e não por anestesistas.

«Fazer sedação por um gastrenterologista é má prática clínica. Não é possível que o mesmo gastrenterologista que está a fazer colonoscopia esteja a sedar o doente, porque o doente ficava em risco. O gastrenterologista não pode estar em simultâneo a fazer um exame e a vigiar os sinais vitais do doente», afirmou, na altura, o bastonário José Manuel Silva à agência Lusa.

Hoje, na norma publicada no seu site, a DGS recomenda que a sedação seja realizada por médico anestesiologista.

Só perante a impossibilidade da presença física deste médico, ou em situação de urgência, a sedação poderá ser feita por um médico com treino em suporte avançado de vida ou por um clínico «conhecedor do perfil farmacológico dos fármacos que utiliza (...) e competente na resolução de complicações clínicas».

Devem ser feitas no prazo máximo de dois meses após prescrição

Ainda segundo uma norma também proposta hoje pela Direção-geral da Saúde (DGS), as colonoscopias devem passar a ser feitas no prazo máximo de dois meses após a sua prescrição.

«O prazo para a realização da colonoscopia total após a sua prescrição deve ser, no máximo, de oito semanas», refere a norma publicada no site da DGS, que recomenda ainda que o médico que prescreve verifique se o exame foi realizado, através de marcação de uma consulta de controlo.

Quando a colonoscopia não ocorre no prazo de dois meses, o médico que a prescreveu deve notificar a respetiva chefia.

Devem realizar uma colonoscopia total os doentes cuja pesquisa de sangue oculto nas fezes tenha dado positiva, entre outros casos em que o exame também é recomendado.

Quando a pesquisa de sangue oculto nas fezes dá negativa, a DGS aconselha a que a pesquisa seja repetida após um ano.

Nos doentes que realizam colonoscopia e em que é detetado cancro ou pólipos malignos, a DGS propõe que a consulta de gastrenterologia seja realizada no prazo máximo um mês.