A apreensão de seringas nas prisões está atualmente mais associada a esteroides anabolizantes do que consumo de drogas como a heroína, segundo o diretor geral de reinserção e serviços prisionais, Rui Sá Gomes.

“Hoje há uma cultura do físico, ao contrário de antigamente, da dependência da heroína, as seringas apreendidas estão associadas a anabolizantes, o que demonstra o declínio da heroína” nas prisões, disse.


Rui Sá Gomes falava esta sexta-feira na apresentação do Inquérito Nacional sobre Comportamentos Aditivos em Meio Prisional, que compara dados de 2001, 2007 e 2014.

Do inquérito salienta-se essencialmente, segundo os responsáveis, o envelhecimento da população prisional, o facto de o desemprego entre presos ser o dobro da população em geral, de haver mais reclusos com filhos, de ter havido uma grande descida de casos de seropositivos e de ter baixado o consumo de drogas tradicionais e os crimes relacionados com elas.

Quanto ao envelhecimento Rui Sá Gomes considerou que tem a ver com consumidores de drogas como a heroína (população muito envelhecida), mas também por haver muitos presos por crimes passionais, que muitas vezes envolvem pessoas com mais idade.

Anália Torres, coordenadora do grupo de trabalho que fez o Inquérito (Centro Interdisciplinar de Estudos de Género do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas), salientou ainda o facto de um quinto dos presos estar detido por crimes relacionados com álcool e que quase 10 por cento por crimes estão relacionados com falta de carta de condução (a que podem estar associados outros crimes).

A estes crimes está muitas vezes associada a pena de prisão por dias livres (aos fins de semana), uma medida com a qual Rui Sá Gomes não concorda. “Por vezes essas pessoas apresentam-se na cadeia a conduzir bêbadas”, disse.

O inquérito revela que o consumo das drogas tradicionais nas cadeias decresceu, mas que mesmo assim questões de droga atingem dois terços dos detidos.Com exceção de cannabis, com ligeira subida, o consumo de outras drogas desceu (sem contar com novas drogas, que não estavam contempladas noutros inquéritos pelo que não é possível comparar).

Onde se verificou grande aumento, para o dobro, foi na não utilização de preservativo nas relações sexuais. Mais de 70 por cento dos detidos inquiridos (20% dos reclusos em 47 das 49 prisões) disse que não o usava (35% disse o mesmo em 2007).

“Há uma descida de atenção relativamente a doenças sexualmente transmissíveis, há uma retração das práticas preventivas”, disse Anália Torres, acrescentando Rui Sá Gomes que sete mil reclusos já estiveram envolvidos em ações de sensibilização para comportamentos de risco.