A polícia anunciou esta segunda-feira a detenção de quatro homens e de uma mulher suspeitos de, pelo menos, 13 burlas a idosos, cometidas na Área Metropolitana de Lisboa, que lesaram as vítimas em milhares de euros.

Os suspeitos, com idades entre os 21 e os 41 anos, foram detidos no cumprimento de mandados de detenção e após uma investigação que durava há cerca de um ano.

O modo de atuação do grupo passava por identificar as vítimas, sobretudo homens de alguma idade e que aparentassem ser de classe média/alta, as quais eram depois abordadas pelos detidos, que se faziam passar por antigos conhecidos e amigos de familiares dos idosos, com o objetivo de ganhar a sua confiança e de recolher informação pessoal.

Posteriormente, segundo o comandante da Divisão de Investigação Criminal (DIC) de Lisboa, os suspeitos diziam às vítimas que iam abrir uma loja de eletrodomésticos na zona, e que, em nome “do respeito e da consideração” pela amizade, ofereciam-lhes brindes promocionais, nomeadamente “descontos vantajosos” na compra de relógios ou de câmaras de filmar de aparente elevado valor, que na realidade não o tinham.

“Após esta conversa, os suspeitos, por vezes sozinhos, outras vezes com um segundo elemento, dependendo da história apresentada às vítimas, dirigiam-se às caixas multibanco mais próxima e convenciam os idosos a levantarem o dinheiro. Há casos em que levantavam 200 ou 400 euros”, explicou Resende da Silva, em conferência de imprensa realizada esta tarde na DIC de Lisboa.


O valor real dos supostos brindes/iscos rondava os 30/40 euros.

Outros dos métodos utilizados pelo grupo passava pela alegada venda de telemóveis de elevado valor a um preço mais acessível.

Depois de mostrarem o aparelho topo de gama e da negociação concluída, o telemóvel era momentaneamente escondido. No momento da venda, em vez de as vítimas receberem o telemóvel, os suspeitos entregavam-lhes um “um pedaço de azulejo ou de sabão” envolto numa caixa ou numa bolsa com as mesmas dimensões e peso do telemóvel.

O comandante da DIC sublinhou que, neste momento, os detidos estão indiciados por 13 situações de burlas deste tipo, admitindo que, no decorrer da investigação, este número possa vir a aumentar.

Os crimes foram cometidos, principalmente, na Área Metropolitana de Lisboa, mas também há registos destas situações no distrito de Santarém.

“Não temos um valor exato em que as pessoas foram lesadas, mas estamos a falar de milhares de euros”, frisou Resende da Silva.

Depois de presentes a primeiro interrogatório judicial, três dos cinco detidos – que já tinham antecedentes criminais por crimes idênticos - ficaram em prisão preventiva, enquanto a mulher e um dos homens ficaram sujeitos à medida de coação de apresentações periódicas às autoridades.

O comandante da DIC de Lisboa deixou ainda um apelo à população, sobretudo aos mais idosos, para que desconfiem deste tipo de abordagens e que evitem estar isolados quando forem interpelados por alguém desta forma.