O ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, considera que a detenção de um cidadão chinês a quem foi atribuído um visto gold mostra que as autoridades estão a controlar os cidadãos que entram no país através deste sistema.

«Há um controlo, em primeiro lugar, e em segundo lugar, no caso concreto, o mandado internacional de captura tem uma data posterior, foi emitido posteriormente ao visto ter sido concedido», disse Rui Machete à margem de um seminário sobre o acordo de livre comércio entre os Estados Unidos e a União Europeia.

«Neste aspeto não houve nenhum descontrolo, antes pelo contrário. O controlo funcionou, houve foi um atraso, cujas razões ignoro, da emissão do mandado internacional», acrescentou o ministro, escusando-se a comentar mais o caso.

O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras emitiu no sábado um comunicado no qual afirma que os procedimentos de atribuição dos vistos gold seguem «com rigor» os mecanismos de segurança e que, neste caso, a data de emissão do mandado de detenção internacional pela Interpol é de fevereiro de 2014, posterior à emissão do visto.

Na sexta-feira, um cidadão chinês com autorização de residência em Portugal ao abrigo do programa de vistos dourados foi detido pela Polícia Judiciária com base num mandado de captura internacional emitido pela Interpol.

Fonte da Polícia Judiciária adiantou à Lusa no fim de semana que o mandado de captura internacional emitido pela Interpol foi pedido pelas autoridades da China, que procura o cidadão detido em Portugal por crimes de burla.

De acordo com a Rádio Renascença, o cidadão detido terá comprado uma casa de luxo na zona de Cascais com dinheiro ilícito resultante dos crimes cometidos na China.

O homem detido terá cerca de 40 anos, está em Portugal desde o final do ano passado e terá sido presente na sexta-feira a interrogatório no Tribunal da Relação.