Cerca de 400 inspetores da Polícia Judiciária estão a efetuar buscas de Norte a Sul do país para deter elementos do grupo de motards Hells Angels, sabe a TVI24.

As buscas decorrem em Lisboa, Cascais, Porto, Algarve e Margem Sul. Há 56 detidos. As autoridades tentaram executar cerca de 60 mandados de detenção.

Em comunicado, a Polícia Judiciária e a Procuradoria-Geral da República revelam que esta quarta-feira "foram executados cerca de oitenta mandados de busca e cumpridas dezenas de mandados de detenção de suspeitos de integrarem esta estrutura criminosa, constituída por indivíduos extremamente perigosos, com vastos antecedentes criminais e larga experiência na área da criminalidade violenta e organizada".

A operação insere-se no âmbito de vários inquéritos em que se investigam as atividades ilícitas desenvolvidas em território nacional pela organização Hells Angels Motorcycle Club", lê-se ainda.

A coordenadora Manuela Santos explicou aos jornalistas que a ação policial de hoje estava programada "há algum tempo" e que “os objetivos foram cumpridos”, adiantando que a contabilidade do material apreendido ainda não pode ser feita porque há equipas que ainda não chegaram à sede.

Questionada sobre a motivação do grupo Hells Angels, a coordenadora negou que tivesse motivações política, nomeadamente de movimentos de extrema-direita.

“Muitas vezes os Hells Angels são integrados por ‘skinheads’, mas este fenómeno não tem como motivação política ou ideológica”, explicou a coordenadora da operação acrescentando que o grupo está ligada “à atividade comum como tráfico de armas e de droga, extorsão e lenocínio”.

Este grupo já existe em Portugal desde 2002 e, segundo a dirigente da PJ, estava a ser acompanhado pela polícia desde então.

Os atos violentos ocorridos em março no Prior Velho, Loures, que envolveram dois grupos rivais de motards – Hells Angels e Red&Gold - fez seis feridos, dos quais três graves foi a primeira manifestação mais violenta.

“Esta associação criminosa já existe em Portugal desde 2002 e é um fenómeno que tem vindo a crescer em número de pessoas e em manifestações mais violentas. No Prior Velho foi a primeira vez que houve uma manifestação tão poderosa e em força como uma associação criminosa”, afirmou Manuela Santos, acrescentando que foi a primeira vez 100 elementos atuaram em grupo “com o objetivo comum de eliminar a concorrência”.

A operação policial de desmantelamento do grupo também teve em conta a realização, de 19 a 22 julho, do encontro de Motards de Faro.

O diretor nacional da PJ Luis Neves ressalvou o facto de a operação policial ter culminado com o desmantelamento de uma associação criminosa “que impedia a liberdade dos cidadãos, nomeadamente nas estradas” e foi fruto de muito tempo de investigações que contaram com a ajuda do Serviço de Informação e Segurança, GNR, PSP.

Entre os 56 detidos, estão cinco cidadãos estrangeiros, da Alemanha e da Finlândia, e vários elementos da segurança privada.

Os detidos irão ser presentes a partir de amanhã a primeiro interrogatório judicial para a aplicação da medida de coação tida por conveniente.

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Em março, um grupo armado com marretas, facas e barras de ferro bloqueou a Rua de Moçambique, no Prior Velho, e invadiu o restaurante Brasa do Prior onde agrediu clientes e os funcionários. Há também outras investigações a decorrer que deram origem a esta megaoperação.

Os agressores, que faziam parte dos Hell's Angel, entraram no restaurante e agrediram as pessoas - entre estas um grupo de pessoas da "Nova Ordem Social" - que se encontravam no estabelecimento. No ataque, seis pessoas ficaram feridas, uma em estado grave e outra em estado muito grave, "com um pulmão perfurado".