O PS acusou esta quarta-feira o Governo de se tentar «desresponsabilizar» sobre o ano de fogos florestais «muito graves» que Portugal viveu, após a divulgação na terça-feira do balanço da época de fogos.

«A responsabilidade parece ser de todos menos do Governo», disse o deputado socialista Miguel Freitas à agência Lusa, criticando o parlamentar a falta de uma «estratégia integrada» do Executivo no combate aos incêndios.

O socialista falava um dia depois da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) ter feito uma avaliação da época de incêndios florestais, que este ano ficou marcada pela morte de nove pessoas e a maior área ardida dos últimos oito anos.

Para Miguel Freitas, o Governo, «também na questão dos incêndios», fala a duas vozes: para o ministro da Administração Interna (MAI), Miguel Macedo, esta é uma «questão prioritária», enquanto para a ministra da Agricultura, Assunção Cristas, o assunto é «desvalorizado» e tido como uma das «questões estruturais para o médio e longo prazo» de Portugal.

Prevenção, monitorização dos planos municipais, meios aéreos, vigilância e sensibilização são áreas onde o PS, sublinha o deputado, tem «propostas concretas» que serão colocadas no grupo de trabalho sobre a matéria no Parlamento.

O último relatório do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) indica que, este ano, os incêndios florestais consumiram 140.944 hectares, mais 28 por cento do que em 2012 e a maior área ardida desde 2005.

Em contrapartida, as ocorrências de fogo diminuíram 10 por cento em relação a 2012, tendo-se registado 18.869 ignições, menos 2.135 do que no ano passado, adianta o último relatório provisório de incêndios florestais.

O maior incêndio do ano ocorreu no concelho de Alfândega da Fé, no distrito de Bragança, em julho, e consumiu uma área de 14.136 hectares, dos quais cerca de 13.706 eram espaços florestais, indica o mesmo documento, como a Lusa cita.