O psiquiatra Luís Patrício, que é um dos pioneiros no tratamento da toxicodependência em Portugal, manifestou-se, esta segunda-feira, favorável à venda de canábis nas farmácias, para uso terapêutico, estando em sintonia com a ministra da Justiça.

«Se a questão que se põe é de existir na farmácia canábis na forma de erva – uma vez que de cápsulas já tivemos. Se a hipótese é a utilização de erva de marijuana como fim terapêutico, é bem-vinda», sublinhou à Lusa o psiquiatra e autor do livro «Políticas e Dependências – Álcool e (De)mais Drogas em Portugal, 30 Anos Depois».

A ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, afirmou no sábado, em declarações à rádio TSF, a título pessoal, que concorda com a despenalização do uso de drogas leves, para que «não haja criminalidade altamente organizada e branqueamento de capitais».

Para Paula Teixeira da Cruz, a despenalização do consumo de drogas leves - disponibilizando-a, por exemplo, em farmácias - representa não um ganho para o Estado, mas sobretudo para os cidadãos, porque não alimenta um negócio «profundamente rentável».

Para o psiquiatra ouvido pela Lusa, é necessário, primeiro, «clarificar o que é droga», decidindo se «continua a ser apenas aquilo que é ilegal» ou se se pode começar «a falar de substâncias de princípio ativo».

Para o psiquiatra, o que se vende nas farmácias são «medicamentos para tratar, para prevenir». Luís Patrício recordou, de resto, que já se vendem medicamentos para tratar determinados tipo de situações associadas a dependências patológicas, como álcool ou heroína e de outros medicamentos.

Já o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, questionado sobre as declarações da ministra, afirmou que a  despenalização do uso de drogas leves «não é matéria que esteja no programa do Governo» e que Teixeira da Cruz falou «a título pessoal».