A Polícia Judiciária desmantelou, nos últimos dois anos, uma «dezena e meia de grupos» responsáveis por assaltos a caixas multibanco, o que levou à detenção de perto de cem pessoas, disse hoje, em Lisboa, um diretor desta força.

Luís Neves, responsável pela Unidade Nacional de Combate ao Terrorismo da Polícia Judiciária (PJ), falava à imprensa um dia depois da detenção de 13 pessoas, entre as quais duas mulheres, por uma «dezena de assaltos, alguns na forma tentada», realizados no último ano e meio, na área definida entre a Península de Setúbal, Litoral Alentejano e Alentejo.

Com idades compreendidas entre os «20 e poucos anos e os 50», sem profissão conhecida, os 13 elementos do grupo, alguns com ligações familiares, utilizavam estradas e caminhos de terra batida que ligam a Península de Setúbal ao litoral alentejano e Alentejo, para iludir ou escapar às autoridades policiais, acrescentou o diretor.

Coruche, Biscainho e Santiago do Cacém foram, segundo Luís Neves, alguns dos locais onde este grupo efetuou assaltos sem que tivessem causado vítimas, apesar de terem provocado «grande destruição» nos locais que assaltavam ou tentavam assaltar.

No total, o grupo esteve envolvido em cerca de uma dezena de assaltos e a maioria dos elementos tinha antecedentes criminais, acrescentou o responsável pela Unidade Nacional de Combate ao Terrorismo (UNCT).

O grupo utilizava jipes que furtava para realilzar os assaltos e, quando estes eram consumados, incendiava as viaturas, disse Luís Neves, acrescentando haver registo de, pelo menos, quatro jipes incendiados.

Os elementos do grupo residiam perto uns dos outros, em áreas rurais, de campos agrícolas e florestas, e conheciam perfeitamente esses locais, o que dificultou o trabalho de investigação, acrescentou.

Na quarta-feira, foram ouvidos pelas autoridades judiciárias os três indivíduos detidos na posse de armas em situação ilegal, enquanto os dez que, segundo a PJ, integravam a associação criminosa, vão ser ouvidos hoje.

«A detenção deste grupo constitui o culminar de um lapso temporal de cerca de dois anos, que a PJ encetou para combater este fenómeno», disse, considerando tratar-se de «pedras soltas relativamente a grupos que vão ficando».

Luís Neves disse ainda que este tipo de assalto está a diminuir, devido ao combate encetado pela PJ nestes últimos dois anos.

Espingardas caçadeiras - uma das quais de canos serrados e de pressão de ar, encontrando-se nestas uma modificada para munição de calibre superior e com silenciador -, uma pistola, um revólver, nove cartuchos zagalote, 27 balas de calibre de G3 e seis balas para armas de 9mm contam-se entre o armamento apreendido.

Telemóveis, matracas e mocas artesanais, pés-de-cabra, alicates de corte, baterias e cabos de ligação elétrica, com os quais o grupo fazia explodir as caixas multibanco, integram também o material apreendido pela PJ.