O inverno gelado do criador Luís Carvalho, as coroas reais de Dino Alves e o tributo à mulher determinada feito por Filipe Faísca marcaram no domingo o encerramento da 46.ª edição da ModaLisboa, no Pátio da Galé.

As cores começaram melancólicas, em tons de branco, e foram escurecendo à medida que a música se tornou mais ritmada, passando pelo rosa pálido, ‘bordeaux’, beringela, cinzento e preto. Assim começou o desfile de Luís Carvalho, que refletiu a inspiração do criador em “paisagens nórdicas mais gélidas”.

As formas do gelo e cristais sugerem linhas mais retas e volumosas para a silhueta, detalhes e padrões, enquanto a tranquilidade e o silêncio destes locais vão originar formas mais leves e fluidas”, define o criador, que optou por materiais como o algodão, a fazenda de lã, a sarja e o pelo para as suas peças femininas e masculinas.

Seguiu-se a reencarnação da monarquia no desfile “Novos Reis” de Dino Alves, no qual as coroas feitas de ganchos dourados foram as peças-chave, tanto na cabeça dos manequins como das modelos.

A apresentação (que se iniciou mais tarde do que previsto, tendência verifica nos restantes desfiles) abordou uma “nova classe social, onde não serão os bens materiais” que conferem o título de realeza.

São, antes, aspetos como “a riqueza do seu caráter, a nobreza das suas atitudes e ações, a solidariedade para com os mais desfavorecidos, o valor e integridade”, de acordo com o criador, que o expressou em detalhes como bainhas recortadas, folhos franzidos e golas de renda, em tons de branco, preto, cinza, azul, ‘bordeaux’, laranja, amarelo e dourado.

Anteriormente, já Filipe Faísca tinha mostrado a coleção “New Age”, na qual evidenciou uma mulher “multifacetada, determinada, que por vezes também é homem, sem censura e sem idade”, segundo descrição do criador.

O desfile de Filipe Faísca arrancou com uma modelo mais velha, entrada que foi muito aplaudida e à qual se seguiu uma modelo em representação da idade adulta, com uma saia lápis e óculos.

Depois, foi a vez de aludir à adolescência, com uma manequim que entrou e saiu de olhos colocados no telemóvel.

Outra das surpresas foi a presença da apresentadora de televisão Manuela Moura Guedes, que entrou ao som da canção portuguesa “Foram cardos, foram rosas”.

Nesta coleção, o criador – que apresentou propostas masculinas e femininas – apostou no preto, no branco e também na conjugação de cores, em cortes direitos, fatos, vestidos e saias.

No último dia da ModaLisboa, realizaram-se ainda os desfiles da marca Saymyname (da ‘designer’ de moda Catarina Sequeira), que optou por linhas retas e padrões psicadélicos, e de Nadir Tati, que trouxe ao Pátio da Galé “A voz de Angola” em forma de drapeados, rendas e transparências.

Já os coordenados masculinos do polaco Piotr Drzał visaram a criação de “conotações emocionais da noite”, daí a utilização de pretos, cinzas e dourado em sobretudos, macacões e bermudas.

Além dos desfiles, apenas acessíveis por convite, houve atividades abertas ao público em geral.

Esta edição da ModaLisboa, que assinala os 25 anos da iniciativa, decorreu sob o tema “Kiss”, contando com 30 estilistas e 20 mil visitantes.