A Cáritas Portuguesa lança na sexta-feira um manual prático que pretende ajudar sobretudo quem está desempregado a constituir um negócio e a criar o seu próprio posto de trabalho.

O ‘Manual prático para a criação de micro-negócios e recurso ao crowdfounfing” faz parte do projeto Cria(c)tividade, que “visa despertar as pessoas que estão, sobretudo, desempregadas” para terem uma atividade por conta própria e ajudar quem tem os seus negócios em risco, disse hoje à agência Lusa o presidente da Cáritas Portuguesa.

Eugénio Fonseca explicou que o Cria(c)tividade, desenvolvido pela Cáritas e cofinanciado pelo Programa Operacional de Assistência Técnica/Fundo Social Europeu, termina no final deste mês e a organização quis deixar “um contributo, muito prático, de como se pode constituir um negócio e criar um novo posto de trabalho”.

Com a ajuda do manual, os portugueses vão perceber que “passos têm que percorrer, que condições pessoais devem ter, que riscos poderão correr, que esforços lhes são pedidos” para criarem um negócio.

“Há milhares de desempregados que possivelmente poderão vir a não ter trabalho por conta de outrem”, mas podem ter “a ousadia de criar o seu próprio posto de trabalho”, mas fazendo-o da “forma mais segura” para não arranjarem novos problemas”, disse Eugénio Fonseca.

Apesar do projeto terminar, a Cáritas vai continuar com a sua dinâmica porque “o país tem um grande problema para enfrentar”, o “drama do desemprego”, frisou Eugénio Fonseca, comentando que este será um dos dois “grandes desafios” que a classe política terá de enfrentar nas eleições legislativas e presidenciais.

“O primeiro [desafio] é fazer com que as pessoas readquiram a confiança que perderam e isto vai depender muito da campanha eleitoral que os seus protagonistas forem capazes de fazer. O segundo, que tem de ter o contributo de todos, é resolver o drama do desemprego em Portugal”, sustentou.

Desde que foi lançado, em janeiro do ano passado, o Cria(C)tividade recebeu 153 candidaturas, tendo sido entrevistados 149 candidatos.

Dos projetos de negócios apresentados, “apontámos como viáveis 22”, disse Eugénio Fonseca, sublinhando que alguns já estão em fase de concretização e outros aguardam financiamento, porque o projeto “não tem verbas próprias para a criação do posto de trabalho”.

“O que fazemos é ajudar as pessoas a elaborarem a sua ideia, fazer com elas um estudo de viabilidade económica e dar todos os passos necessários para chegar à aquisição de financiamento para poderem concretizar o negócio”, que pode ser conseguido através do microcrédito ou do Crowfunding (financiamento colaborativo).

Eugénio Fonseca revelou que a Cáritas já pediu ao ministro da Solidariedade, do Emprego e Segurança Social para disponibilizar uma verba adicional para a criação destes projetos, através do Instituto de Emprego e Formação Profissional,

“Estamos a falar de 22 projetos que podem criar 24 postos de trabalho”, o que já “é significativo, embora seja uma gota de água no oceano de milhares de desempregados”.

O ‘Manual prático para a criação de micro-negócios e recurso ao crowdfounfing’ é apresentado na quarta-feira no Campus do Instituto Politécnico de Setúbal.