A Fenprof e outros cinco sindicatos de professores foram ouvidos esta terça-feira pelos deputados da comissão parlamentar de Educação, Ciência e Cultura, para denunciar o «quadro absolutamente grotesco» em que se realizou a prova de avaliação docente.

«As desigualdades, o desrespeito pelos docentes e pela sua condição profissional, o abandono de qualquer rigor, os abusos sobre as normas definidas pela própria tutela acrescentam evidências da falta de seriedade de todo este processo e confirmam a necessidade de acabar de vez com uma prova que é, de todo, injustificável», lê-se no comunicado da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), a propósito da reunião desta terça-feira com os deputados.

Os sindicatos voltaram a pedir à Assembleia da República a suspensão e a eliminação da Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades (PACC) dos professores e entregaram um documento no qual expõem os seus argumentos e enumeram as denúncias de irregularidades recebidas, entre as quais a alegada atuação ilegal nas escolas da Inspeção Geral de Educação e Ciência (IGEC), no dia da componente comum da prova ¿ 18 de dezembro -, acusações já recusadas pelo Ministério da Educação e Ciência (MEC) e pela própria IGEC.

«As informações reunidas pelos sindicatos apontam a presença de inspetores em todas as escolas de realização da prova, desconhecendo-se ao certo a missão que ali os levou, mas sabendo-se, pelo que anteriormente se relata, que, em muitos casos, ela não terá contribuído para o cumprimento das regras definidas e divulgadas para a realização da componente comum da PACC», lê-se no documento entregue aos deputados.

«Em algumas situações ficaram mesmo indícios que a sua ação decorreu em sentido contrário. Este é um aspeto que carece de esclarecimentos», defendem os sindicatos.

No final de dezembro, a Fenprof, com base nas denúncias feitas por professores que fizeram ou tentaram fazer a PACC, acusou a IGEC de ter pressionado as direções das escolas a realizar a prova apesar de não estarem reunidas as condições exigidas para a concretização da avaliação.

O MEC, em resposta à Lusa, referiu que a intervenção da IGEC visou «zelar pelo cumprimento da legalidade e contribuir para que todos os candidatos pudessem realizar a prova em condições de equidade».

E garantiu que «nenhum diretor ou qualquer outro interveniente na prova (incluindo vigilantes ou candidatos) apresentou qualquer queixa referente à atuação dos inspetores da IGEC, junto da própria IGEC ou do Júri Nacional da Prova».