A Linha SOS Voz Amiga recebeu 1.546 pedidos de ajuda no primeiro semestre do ano relacionados com problemas de solidão, depressão, dependências, violência e doenças psíquicas, um número que tem vindo a crescer nos últimos anos.

O Centro SOS Voz Amiga, o primeiro telefone de ajuda na área da prevenção do suicídio que surgiu em Portugal, é um serviço de ajuda pontual em situações agudas de sofrimento causadas pela solidão, ansiedade, depressão e risco de suicídio.

Nos últimos anos, tem vindo “a acontecer um aumento significativo de apelos”, disse hoje à agência Lusa Maria, uma voluntária do serviço, que funciona diariamente das 16:00 às 24:00 e que pode ser contactada através dos números 213544545, 912802669 e 963524660.

Segundo dados divulgados à Lusa, a propósito do Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, que se assinala esta quinta-feira, em 2013 foram feitos 1.271 apelos, número de subiu para 2.126 no ano passado (40%).

Nos primeiros seis meses do ano, a linha recebeu 1.546 chamadas, a maioria feita por mulheres (776), contra 489 feitas por homens. As restantes foram “chamadas silenciosas”.

A maior parte das chamadas realizadas este ano (606) foi motivada por problemas relacionadas com solidão, angústia, pânico, luto e sexualidade e por doenças (569), como depressão, doenças psíquicas e físicas e dependências.

Houve ainda 473 chamadas motivadas por problemas afetivos e familiares, 119 por ideias suicidas e 116 por problemas socioeconómicos.

Desde que foi criado em 1978 pelo psiquiatra Fragoso Mendes, da Liga Portuguesa de Higiene Mental, o SOS Voz Amiga, que é assegurado por voluntário, atendeu milhares de pessoas de todo o país.

Maria disse à Lusa que o centro precisa de mais voluntários para cumprir o objetivo do atendimento de 24 horas diárias, uma vez que “o sofrimento não tem horas marcadas”.

“Atualmente os voluntários não chegam a 30 e seriam necessários 70 para cumprir esse objetivo”, adiantou.

Este serviço já evitou muitos suicídios devido à relação que é estabelecida entre o voluntário e o apelante. “Esse é que é o milagre deste telefone” motivado pelo facto de, “na conversa, não haver rosto, apenas coração a coração”.

“Quando a relação é estabelecida nós conseguimos diminuir o pico do sofrimento que a pessoa está e esta começa a fazer um caminho connosco”, voltando a ligar ou procurar ajuda médica, apesar de muitos apelantes já estarem a ser acompanhados clinicamente adiantou a voluntária.

“Há pessoas com ataques de pânico que nos ligam mais do que uma vez durante o dia. Não há limitação, a pessoa liga as vezes que precisar”, sublinhou.

Maria defendeu a importância de divulgar-se este serviço, porque “ainda há um grande estigma das pessoas a falar na palavra suicídio. Este estigma é terrível porque afasta as pessoas”.

Nesse sentido, apelou às pessoas que “não se inibam de falar com alguém quando estiverem em sofrimento, porque há sempre alguém do outro lado da linha”.

Além disso, sublinhou, “a depressão tem tratamento” e “mesmo que se esteja no fundo do poço, há sempre uma esperança”.