Os oficiais do Exército estão a convocar um protesto para a próxima quarta-feira, em Lisboa, contra a forma como cinco comandantes foram exonerados pelo Chefe de Estado-Maior do Exército (CEME). As demissões foram anunciadas depois de terem sido roubadas armas militares em Tancos, na semana passada.  

A manifestação, marcada para as 11:30 de 5 de julho, está a ser convocada através de um email a que o semanário Expresso teve acesso. Os militares vão estar fardados, numa marcha silenciosa entre o Monumento dos Mortos e o Palácio de Belém. Junto à Presidência da República, os manifestantes vão depor simbolicamente as espadas. 

O plano é começar com uma concentração às 11:30, em frente ao Monumento aos Mortos, na zona da Torre de Belém, e depois seguir em marcha silenciosa em direção ao Palácio de Belém. Aí, os oficiais deverão depor simbolicamente as suas espadas, perante a residência oficial do Presidente da República, que é o comandante supremo das Forças Armadas", lê-se na publicação.

De acordo com o Expresso, o protesto visa diretamente Marcelo Rebelo de Sousa, que é o comandante supremo das Forças Armadas e ainda não se pronunciou sobre o assunto desde que foi noticiado na sexta-feira. Mas os alvos principais são o ministro da Defesa, Azeredo Lopes, e o CEME, Rovisco Duarte, que anunciou a exoneração dos cinco comandantes em direto numa entrevista à RTP, sem antes ter contactado os visados.

O general Rovisco Duarte adiantou que determinou três processos de averiguações à segurança dos Paióis Nacionais de Tancos, a realizar pela Inspeção-Geral do Exército, no que respeita à armazenagem, à questão da intrusão, envolvendo todas as unidades, e ao sistema de vigilância.

Questionado sobre se ponderou demitir-se, Rovisco Duarte recusou essa possibilidade: "Quando se coloca problemas de demissão, não me passa minimamente pela cabeça”, afirmou.

Rovisco Duarte admitiu desconforto pelo ocorrido, tanto mais que o Exército foi atingido "no orgulho e prestígio". O CEME considerou que foi "particularmente ingrato" porque tem vindo "pessoalmente a fazer um esforço para a vigilância e segurança das unidades".

Esta segunda-feira, o El Mundo, citando fontes do Ministério espanhol do Interior, noticiou que o roubo de material de guerra em Tancos tem por detrás redes de crime organizado e nada tem a ver com movimentos extremistas islâmicos. De acordo com o jornal espanhol, a informação terá sido dada ao titular da pasta pela homóloga portuguesa, Constança Urbano de Sousa, na cimeira do G4 sobre segurança, que integra Portugal, Espanha, França e Marrocos e decorreu esta segunda-feira em Sevilha,

Numa declaração enviada à Lusa, o Ministério da Administração Interna disse entretanto que a notícia do El Mundo “não corresponde à verdade” e recusou que Constança Urbano de Sousa tenha informado o homólogo espanhol.