A direção do Mestrado Integrado de Medicina da Universidade do Algarve, que se tinha demitido em bloco na quinta-feira, anulou o pedido de demissão e voltou hoje a assumir funções após o reitor ter reformulado a «cláusula da discórdia».

«O reitor aceitou, de facto, fazer uma reformulação da tal cláusula que punha os problemas de autonomia ao mestrado e aceitou também que a direção retirasse o seu pedido de demissão, pelo que neste momento penso que estão sanados todos os problemas», declarou à Lusa Isabel Palmeirim, diretora do Mestrado Integrado de Medicina (MIM) da Universidade do Algarve.

«Hoje voltamos todos à normalidade e esperamos que o problema esteja completamente sanado», disse, afirmando que a «cláusula da discórdia» foi reescrita, tendo sido acrescentadas duas linhas, para permitir que a direção do MIM possa fazer convites para oradores sem que seja necessária a autorização dos diretores de serviço do Hospital de Faro.

Os médicos de família que lecionam no MIM e uma grande parte dos médicos do Hospital de Faro que tinham ameaçado apresentar demissão caso o reitor não recuasse na «cláusula da discórdia», congratularam-se hoje por ter prevalecido o «bom senso».

«Prevaleceu o bom senso», «está dada a garantia de autonomia pedagógica e científica à atual direção do curso de Medicina da Universidade do Algarve, através da adequação da cláusula da discórdia», disse hoje à Lusa Filipe Gomes, médico interno de Radiologia no Hospital de Faro e assistente convidado no MIM.

Segundo aquele médico, a direção do curso anulou o seu pedido de demissão, «reconhecendo que as posições se extremaram para lá do desejável».

Os estudantes do MIM da Universidade do Algarve também já suspenderam a greve às atividades letivas, que tinham iniciado na segunda-feira, disse à Lusa um dos estudantes que promoveu a paralisação.

A Lusa tentou obter um comentário do reitor da Universidade do Algarve, João Guerreiro, sobre a alteração da cláusula do novo protocolo, mas não foi possível até ao meio da manhã de hoje.

Na sexta-feira, o reitor da UAlg disse aos jornalistas que o protocolo é o mesmo do passado e que a autonomia pedagógica e científica não está em causa, classificando a demissão como um «flop».

O curso de Medicina do Algarve tem cerca de 150 alunos, tendo-se formado 29 médicos desde 2009, ano em que abriu.