O chefe de Estado Maior do Exército, Carlos Jerónimo, colocou o lugar à disposição na sequência de um caso de discriminação homossexual no Colégio Militar. A TVI confirmou que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, já aceitou o pedido de demissão.

Esta quarta-feira à tarde, o Conselho dos Chefes do Exército reuniu de urgência e a polémica em torno deste caso dominou a reunião. Os militares consideraram infelizes as declarações do sub-diretor do Colégio Militar, que, ao jornal Observador, afirmou que aconselham os pais a retirar os filhos da instituição quando descobrem situações de homossexualidade, para os proteger dos outros alunos.

Declarações que foram censuradas pelo ministro da Defesa, que pediu explicações ao comando do Exército.

Foi nesta sequência que o general Carlos Jerónimo colocou o lugar à disposição.

 

Razões pessoais, diz Presidência

 

O Chefe do Estado-Maior do Exército, general Carlos Jerónimo, alegou "razões pessoais" no pedido de demissão apresentado ao Presidente da República, disse fonte da presidência.

O general Carlos Jerónimo, Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME) desde 18 de fevereiro de 2014, apresentou o pedido de demidssão ao Presidente da República, que é, por inerência, o Comandante Supremo das Forças Armadas. Marcelo Rebelo de Sousa aceitou o pedido de demissão do general Carlos Jerónimo, tendo agradecido os "serviços relevantes" prestados pelo CEME ao país.

Questionado pela Lusa sobre esta demissão, o gabinete do Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), através do coronel Helder Perdigão, disse que "este é um assunto da esfera do Exército” e remeteu para aquele ramo qualquer declaração.

O ministro da Defesa Nacional, Azeredo Lopes, anunciou que já iniciou os procedimentos adequados visando a substituição do general Carlos Jerónimo.

Em comunicado, o gabinete do ministro Azeredo Lopes afirmou que na sequência do pedido de demissão, que foi aceite pelo Presidente da República, "foram iniciados pelo Governo os procedimentos adequados com vista à nomeação de um novo" CEME.

A Lei de bases da Organização das Forças Armadas prevê que os chefes de Estado-Maior dos ramos são nomeados e exonerados pelo Presidente da República, sob proposta do Governo, que deve ser precedida da audição, "através do ministro da Defesa Nacional, do Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas".

Na mesma nota, o ministro da Defesa manifestou "o seu apreço e consideração pessoal e profissional" pelo general Carlos Jerónimo, que estava no cargo há dois anos.

"O ministro da Defesa Nacional manifesta o seu apreço e consideração, pessoal e profissional, pelo Senhor General Carlos António Corbal Hernandez Jerónimo pela valiosa colaboração com a tutela durante o exercício do seu mandato e pelos serviços que tem prestado, e certamente continuará a prestar, ao Exército, às Forças Armadas e a Portugal", refere o comunicado.

O general Carlos António Corbal Hernandez Jerónimo nasceu em Paialvo, no concelho de Tomar (Santarém), tem 58 anos de idade e 41 anos de serviço militar, segundo a página do Exército na Internet.

Carlos Jerónimo tem o curso de Ciências Militares, arma de Infantaria, da Academia Militar, os cursos curriculares de carreira, o Curso de Estado-Maior e o Curso Superior de Comando e Direcção, do Instituto de Altos Estudos Militares.