O ministro da Defesa admitiu esta terça-feira que a reintegração dos cinco comandantes do Exército exonerados após o furto de material de guerra em Tancos não significa que não possam ser responsabilizados nas investigações em curso.

O Chefe do Estado Maior do Exército entendeu que não se justificava manter e, portanto, que cessava a razão cautelar que justificava o afastamento inicial daqueles cinco comandantes. E comunicou-me que a sua intenção - penso que já concretizada - seria a de reconstituir esses comandos, coisa que foi feita", disse Azeredo Lopes.

Para o ministro da Defesa, a reintegração dos cinco comandantes exonerados depois de ter sido detetado o furto de material militar em Tancos, que terá ocorrido no dia 28 de junho, não significa que estejam ilibados, mas lembrou que os cinco comandantes também "não estavam sob acusação".

"Eventuais responsabilidades, eventuais factos que apontem para responsabilidades, muito mais depressa resultam da investigação da Polícia Judiciária Militar e da Polícia Judiciária, do que por averiguações levadas a cabo pelo Exército", disse, lembrando que o objetivo das averiguações do exército era "ver o que tinha falhado e como evitar novos furtos desta natureza".

Em comunicado, o Exército informou na segunda-feira que o chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), Rovisco Duarte, voltou a nomear para os mesmos cargos os cinco comandantes que tinha exonerado para não perturbar as averiguações internas sobre o furto de material de guerra em Tancos.

Azeredo Lopes falava aos jornalistas durante uma demonstração de capacidades de combate da Marinha que decorreu hoje nas instalações do ramo em Tróia e na zona de Pinheiro da Cruz, no concelho de Grândola, distrito de Setúbal, com destaque para uma ação do Destacamento de Ações Especiais (DAE) dos Fuzileiros, no âmbito do exercício naval PRONTEX 17, a decorrer desde o dia 13 de julho e que só termina no próximo sábado.

O ministro da Defesa, que durante a manhã viajou a bordo do submarino Arpão, assistiu ao lançamento de dezenas de elementos das forças especiais dos fuzileiros a partir de um C-130 da Força Aérea Portuguesa, e ao assalto das forças especiais a um navio mercante, a que se seguiu, durante a tarde, a observação de um desembarque anfíbio na área de exercícios militares de Pinheiro da Cruz.

Azeredo Lopes sublinhou a importância da capacidade operacional dos militares portugueses e salientou a importância da conjugação de meios aéreos com a capacidade submarina, anfíbia e naval da Marinha Portuguesa.

"A operação Prontex, como sabem, tem em vista treinar, reforçar capacidades, para podermos, por exemplo, ter uma ação mais interveniente e mais competente na área da segurança marítima, na área da proteção de navios, que, tendo ou não pavilhão português, possam interessar a Portugal, do ponto de vista estratégico, ou do ponto de vista de alianças que atualmente vemos", disse, lembrando que Portugal pode precisar de responder a incidentes que ocorram no Mediterrâneo ou no Golfo da Guiné.

Segundo Martins de Brito, oficial de operações do Corpo de Fuzileiros da Marinha Portuguesa, a operação que decorreu no estuário do Sado e na costa atlântica do litoral alentejano, "foi uma demonstração de capacidade do corpo de fuzileiros no âmbito do exercício Prontex, exercício de certificação final de uma força de fuzileiros que, durante ano esteve em aprontamento para qualquer missão".

"Hoje assistimos a uma demonstração de algumas dessas capacidades do corpo de fuzileiros e da marinha portuguesa. Neste caso tivemos o destacamento de ações especiais do corpo de fuzileiros a fazer a sua projeção através de um meio aéreo, C-130, da Força Aérea Portuguesa, permitindo colocar alguns dos seus elementos na área de operações", disse.

Martins de Brito não revelou o custo dos cinco dias do exercício Prontex, mas disse que envolveu um efetivo de 250 homens, incluindo os 153 elementos das forças especiais.

Praças dizem que "não há militares suficientes"

A Associação de Praças (AP) sustentou esta terça-feira que não há militares suficientes para garantir a segurança dos espaços vitais das Forças Armadas e exigiu o apuramento de todas as responsabilidades no furto de material militar em Tancos.

Na primeira tomada de posição sobre o furto de material militar nos paióis de Tancos, Santarém, a AP manifestou "estupefação" pelo assalto, que considerou de "extrema gravidade" e exigiu "ver apurado tudo o que se passou" e retiradas todas as consequências "doa a quem doer".

Para a AP, "não basta pedir a demissão do ministro da Defesa Nacional", considerando que "o que é necessário é exigir uma política diferente".

Não há militares em número suficiente para garantir a segurança dos espaços vitais pertencentes às Forças Armadas e por conseguinte garantir a defesa da soberania nacional", sustentou.

Quanto à forma como o chefe do Exército geriu este caso, a AP manifestou estranheza quanto à exoneração de cinco comandantes e a sua renomeação para os mesmos cargos, duas semanas depois.

"Não pretendemos fazer qualquer juízo de valor em relação à conduta desses oficiais. O que não se compreende é que não se chegando a nenhuma conclusão sobre o inquérito ao assalto aos paióis de Tancos, os mesmos que foram afastados sejam readmitidos", referiu.