O ministro da Defesa, Nuno Severiano Teixeira, desmentiu este sábado que Portugal vá perder o direito à montagem de blindados para as Forças Armadas contratados com um consórcio austríaco, avança a agência Lusa.

Segundo notícias divulgadas este sábado pelos jornais, o consórcio austríaco liderado pela Steyr, com quem o Estado português contratou a compra de blindados para as Forças Armadas pretende transferir a sua produção para a República Checa, colocando em causa empresas portuguesas que os co-produzem.

Só a Fabrequipa, no Barreiro, poderá perder quase cem milhões de euros e ter de despedir cerca de 200 trabalhadores, segundo os jornais.

De acordo com o ministro português, o contrato de contrapartidas que está em vigor «está a ser cumprido e vai continuar a ser cumprido».

«O Ministério da Defesa não recebeu qualquer proposta formal de renegociação deste contrato de contrapartidas», adiantou Severiano Teixeira, em declarações aos jornalistas antes de partir para uma visita de dois dias à Líbia.

«O Estado português não permitirá que a indústria portuguesa seja prejudicada», afirmou.

O ministro confirmou que vai realizar-se na próxima semana uma reunião da Comissão Permanente de Contrapartidas, mas declarou que não serão postos em causa os termos em que o acordo está em vigor.

De acordo com os jornais, o consórcio austríaco propõe-se transferir a produção dos blindados devido à crise financeira mundial, cabendo à Comissão Permanente de Contrapartidas determinar se tal viola o contrato de contrapartidas com o Estado português.

Segundo as mesmas fontes, o contrato de compra dos 260 blindados, por 364 milhões de euros, foi realizado em 2005, quando era ministro da Defesa Paulo Portas.