O Ministério da Defesa Nacional vai gastar 8,1 milhões de euros na reparação da corveta «António Enes», ao serviço da Marinha há 42 anos, segundo despachado publicado esta sexta-feira em Diário da República.

Esta intervenção, lê-se no despacho assinado pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e que delega no ministro da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco, a competência da sua contratação, é justificada por aquele navio ter de «efetuar uma ação de manutenção, que inclui a realização de uma docagem e de uma revisão intermédia».

«De modo a que, no contexto do acompanhamento de manutenção corretiva de condição, possa manter a sua atividade operacional e as valências inerentes às suas capacidades», lê-se no documento sobre o NRP (Navio da República Portuguesa) «António Enes».

«É uma intervenção já prevista no âmbito do ciclo operacional do navio e que prolongará a sua vida operacional», explicou à Lusa, no início do ano, fonte da Marinha.

Trata-se de uma reparação semelhante à que foi concluída em janeiro deste ano na corveta João Roby. Esta revisão intermédia, iniciada no Arsenal do Alfeite a 28 de fevereiro de 2012, possibilitou a operacionalidade daquela corveta, com 38 anos de serviço, «pelo menos» até 2016.

Já a corveta «António Enes» entrou ao serviço da Marinha portuguesa a 18 de junho de 1971 e integra a série de seis da classe «João Coutinho», construída sob desenho português da autoria de Rogério Silva Duarte Geral d¿Oliveira nos estaleiros Bazan em Cartagena, Espanha.

O dispositivo naval de patrulhamento e socorro opera atualmente com seis corvetas, que já levam cerca de 40 anos de serviço. São navios com 85 metros de comprimento e uma guarnição de cerca de 70 marinheiros que asseguram missões de busca e salvamento, vigilância e fiscalização das águas territoriais e da Zona Económica Exclusiva.

Integra ainda o novo patrulha, de 83 metros de comprimento, totalmente desenhado e construído nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, mas continua abaixo do «mínimo» de oito navios com que a própria Marinha reconhece que deveria operar para «harmonizar» as missões de interesse público que assegura na área do continente e das regiões autónomas dos Açores e da Madeira.

Entretanto, está em curso nos estaleiros de Viana a conclusão do segundo patrulha - NRP Figueira da Foz -, cuja entrega à Marinha está prevista para o final do ano.

Já a construção dos restantes seis navios e cinco lanchas de fiscalização costeira foi revogada pelo Ministério da Defesa Nacional, tendo em conta os encargos da encomenda quando a empresa estava em processo de reprivatização.

A reparação do navio patrulha «Zaire», ao serviço da Marinha portuguesa desde 1971, também deverá arrancar este ano no Arsenal do Alfeite e deverá custar quase quatro milhões de euros, segundo um despacho do Ministério da Defesa Nacional publicado em julho.

Com 44 metros de comprimento, o NRP «Zaire» é um dos dez navios patrulhas da classe Cacine construídos nos Estaleiros Navais do Mondego, na Figueira da Foz, e já leva quase 42 anos de serviço.