A delegação de Évora da Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (DECO) alertou, esta quarta-feira, para uma alegada burla cometida por uma empresa que se faz passar por uma associação de médicos para fazer vendas.

Em declarações à agência Lusa, a jurista da DECO Isabel Curvo disse que a delegação regional de Évora da associação «tem recebido, nos últimos dias, alguns pedidos de informação» por parte de consumidores sobre a Associação de Médicos Voluntários.

A responsável referiu que os queixosos contaram terem recebido «telefonemas a convidá-los para um rastreio de saúde», destinado a pessoas com mais de 50 anos e que seria feito pela suposta associação de médicos numa unidade hoteleira.

«Quando lá chegaram não se tratava propriamente de um rastreio, mas da venda de bens de consumo», como é o caso de um «aparelho milagroso», a que chamaram de «consola iónica», adiantou.

Isabel Curvo indicou que a empresa vende os aparelhos por 2.990 euros. Se for necessário um crédito para a sua compra, o preço chega aos 3.780 euros.

Os funcionários da empresa obtêm dos consumidores o seu historial clínico e tentam vender-lhes os aparelhos, prometendo a cura das suas doenças, contou a jurista da DECO.

«Não se trata de uma associação, mas de uma empresa de venda de bens» e este caso configura «uma burla e uma prática comercial desleal, enganosa e agressiva», alertou.

A DECO e alguns queixosos já denunciaram o caso à Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE). Isabel Curvo assinalou que os consumidores têm um prazo de 14 dias após a compra para rescindirem o contrato sem necessitarem de invocar qualquer problema no aparelho. No caso de existir um contrato de crédito para a aquisição do produto, também esse contrato pode ser cancelado.

A jurista da DECO escusou-se, para já, a revelar o nome da empresa por a associação estar à espera de uma resposta a um pedido de esclarecimentos.