Cerca de metade das pessoas que recorrem às urgências hospitalares fazem-no por não conseguir atendimento no centro de saúde ou porque o episódio de doença ocorre fora do horário dos cuidados primários, segundo um inquérito da associação Deco.

Com base em 3.556 respostas a inquéritos lançados em outubro de 2013, a associação de defesa do consumidor conclui que aumentou o número de doentes que vai ao hospital por não conseguir ser atendido nos centros de saúde.

Do total de inquiridos, há ainda 12% que alega não ter recorrido aos serviços de urgência por falta de dinheiro para pagar a taxa moderadora.

As conclusões do inquérito, divulgadas na revista «Teste Saúde» desta segunda-feira, mostram que há cinco anos, num estudo semelhante, apenas um quarto dos inquiridos apresentou motivos idênticos para recorrer ao hospital.

«Os resultados mostram um claro aumento do recurso às urgências hospitalares por falta de resposta dos cuidados de saúde primários», refere o artigo.

Em 2009, eram quatro em cada 10 os utentes que foram atendidos nos centros de saúde a precisar de uma consulta urgente.

No atual inquérito, o número baixou para metade, com apenas dois em cada 10 a conseguir, quando precisa, consulta urgente nos cuidados de saúde primários.

Outra das razões para os utentes optarem pelas urgências dos hospitais é a convicção de que há «melhores condições de tratamento e de que os profissionais são mais eficientes, por estarem mais habilitados a lidar com situações graves».

Numa análise à pulseira atribuída na triagem feita nos hospitais, o artigo da Teste Saúde refere que apenas 13% dos inquiridos estariam a necessitar de cuidados imediatos ou quase imediatos (com pulseira vermelha ou laranja).

A pulseira verde ou azul (não urgente ou pouco urgente) foi recebida por quatro em cada 10 utentes questionados.

Em comparação com o inquérito realizado há cinco anos, o tempo de espera para ser visto pelo primeiro médico aumentou ligeiramente, de 70 para 72 minutos.

Contudo, analisando desde o ano 2000, o tempo de espera para ser visto pelo primeiro médico nos hospitais públicos aumentou quase 10 minutos.

Já nos cuidados primários, o tempo de espera aumentou de 55 minutos em 2009 para 62 minutos este ano, depois de uma tendência decrescente entre 2000 e 2009.

Apesar deste aumento, o nível de satisfação dos utentes dos centros de saúde manteve-se igual ao verificado em 2009.

Em relação aos hospitais, a satisfação regista níveis sem alterações (65 em 100 pontos), com os doentes a queixarem-se sobretudo da demora dos resultados dos exames e do tempo «desperdiçado na sala de espera, cujas condições de higiene e conforto desagradam a cerca de um terço dos utentes».

Nos hospitais privados, os níveis de satisfação são melhores (77 pontos em 100), mas um em cada 10 utilizadores mostra-se descontente com o funcionamento dos serviços, numa síntese da Lusa.