A secretária-geral da Casa do Azeite considerou esta terça-feira «genericamente positivo» para o setor o estudo da Deco que apontou irregularidades em cinco marcas de azeite, salientando que apenas num caso está em causa a «genuinidade» do produto.

«Não é de todo preocupante, pelo contrário, a qualidade geral dos azeites em Portugal subiu muito na última década ou nos últimos 15 anos, estão incomparavelmente melhores e, todos os dias, temos notícias de excelentes resultados», afirmou Mariana Matos em declarações à agência Lusa.

Um estudo da associação de defesa dos consumidores Deco a 25 marcas de azeite revelou hoje que uma não era azeite e que quatro eram «azeite virgem» e não «azeite extra virgem» como estava descrito no rótulo, numa violação da lei.

No teste, cujos resultados são publicados na edição de setembro da revista Deco Proteste, mas que foram hoje divulgados, apenas duas marcas apresentaram excelente qualidade.

No caso da marca «Alfandagh», descrita no rótulo como «azeite virgem extra», de origem biológica, a Deco aponta que nem sequer é azeite, «tendo as análises comprovado a presença de outros óleos vegetais refinados que não o originário da azeitona».

Com 65 associados representativos de «mais de 90% do mercado de azeite embalado em Portugal», a Casa do Azeite admite que «nunca é bom haver notícias destas», mas assegura que, ¿genericamente, não é, nem pouco mais ou menos, caso para alarme social», nem «uma situação extremamente gravosa para o setor».

Segundo a secretária-geral, a «adulteração» detetada é «um caso de polícia», mas, nas restantes quatro situações apontadas pela Deco, o que está em causa é uma «desclassificação organoléptica», dependente de fatores subjetivos.

«O que acontece com quatro das amostras que foram detetadas pela Deco é uma questão organoléptica, é uma questão de um ligeiro defeito no sabor ou no cheiro, mas os azeites são perfeitamente genuínos, não há problema nenhum do ponto de vista químico», salientou.

Conforme explicou, «o painel de prova entendeu que havia uns ligeiros defeitos que transformariam aqueles azeites não em azeites virgem extra, mas em azeites virgem», sendo que «a prova organoléptica não é uma ciência exata¿ e os defeitos certamente nem serão detetáveis pelo ¿comum dos mortais».

Salientando que o estudo se focou em azeites correntes «de início de gama, não de topo», Mariana Matos alertou ainda que, frequentemente, «esses defeitos aparecem não por culpa de quem embalou aquele azeite, mas depois de o azeite estar no mercado».

«Se tiver um azeite numa prateleira do supermercado com um holofote a aquecê-lo e a pôr-lhe luz em cima esse azeite altera-se substancialmente. E isso é uma alteração pela qual o embalador não pode ser responsabilizado», disse.

Relativamente ao reforço da fiscalização do setor defendido pela Deco, a Casa do Azeite diz estar «100% de acordo», considerando «muito importante que a fiscalização seja sempre ser feita e que as empresas saibam que essa fiscalização está em campo».

«Isso é muito importante para manter o mercado a funcionar regularmente e ajuda todo o mercado a funcionar de forma mais transparente», concluiu a secretária-geral da associação em declarações à Lusa.