O ministro da Saúde afirmou esta quarta-feira que o caso da morte de um homem no hospital de São José é uma lição sobre os cortes e de como estes “não são perigosos pela sua plenitude, mas pela falta de seletividade”.

Adalberto Campos Fernandes está a ser ouvido pela primeira vez na Comissão Parlamentar da Saúde como ministro da Saúde, numa audição solicitada pelo PCP a propósito do caso de David Duarte, que morreu na madrugada de 14 de dezembro após ter dado entrada no São José com um aneurisma roto.

Para o ministro, que acredita que as investigações em curso irão esclarecer o que efetivamente aconteceu no atendimento do jovem, “havia que ter tido a atenção e diligência” de perceber que seria “pouco prudente” deixar de existir uma resposta, tal como havia até 2013.

Sobre os cortes orçamentais e o seu impacto na resposta da Saúde, Adalberto Campos Fernandes disse aos deputados que “é tão errado culpar os cortes, como dizer que não têm qualquer efeito”.

“Em toda a parte do mundo, quando expomos um país a um quadro de empobrecimento, quando agravamos as condições de vida das pessoas, criamos condições para que a saúde das pessoas piore”, adiantou.


Adalberto Campos Fernandes recordou que a união entre a pobreza e a doença é “o único casamento que não se dissolve”.

O ministro reconheceu que “os países não passam só por bons momento”, defendendo que, “ perante quadros de restrição financeira, há sempre a possibilidade de escolhas diferentes”.

Sobre o anterior governo, disse que este “tentou valorizar menos o impacto dos cortes” e que tinha uma visão “relativamente fundamentalista dos cortes”.

Ainda sobre este caso da morte no Hospital São José, Adalberto Campos Fernandes lamentou a sua excessiva mediatização e afirmou que na gestão deste tipo de casos tem sido ofendida a dignidade de 120 mil profissionais do Serviço Nacional de Saúde (SNS).


“O SNS não é só algo que proclamamos em momentos festivos. É algo que os portugueses respeitam e temos de fazer alguma coisa para recuperar o prestígio e a boa imagem do sistema”, disse, segundo a Lusa.


“Algo se passou de errado”


O ministro da Saúde disse que “talvez não tenha havido a suficiente diligência e a burocracia tenha predominado” na gestão da resposta aos casos como o do jovem que morreu no Hospital de São José com um aneurisma roto.

O ministro, afirmou que “algo se passou de errado” e que tal “pode ter sido ao nível da diligência”.

No seguimento da morte deste jovem, foi conhecido que as Finanças do anterior governo não terão dado resposta à tutela, após proposta do Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC), no sentido de existir uma assistência especializada para este tipo de casos todos os dias da semana.

“Talvez não tenha havido a suficiente diligencia e a burocracia tenha predominado sobre a principal função de um hospital que é cuidar das pessoas”, declarou o ministro.


O ministro sublinhou que a solução deste e de outros casos não passa por “pôr mais dinheiro em cima de tudo”.

“Se não tivermos sistema de controlo, o dinheiro evapora-se”, disse Adalberto Campos Fernandes, que considera uma “irresponsabilidade atroz” pretender duplicar o orçamento do Serviço Nacional da Saúde (SNS).

Ainda sobre as finanças da saúde, o ministro reconheceu que o próximo exercício vai ser “muito difícil”, mas deixou a garantia: “Cumpriremos rigorosamente o que está escrito no programa”, no sentido de “substituir as escolhas erradas pelas certas”.

Na sua audição, anunciou ainda que será assinado, na primeira semana de fevereiro, um compromisso político com todos os parceiros sociais e que esta equipa irá prestar contas a trimestralmente.

Também no início do próximo mês arranca um novo portal do SNS, onde todos os cidadãos poderão ter acesso à atividade do sistema.