O hospital de Santa Maria, em Lisboa, nega qualquer envolvimento na morte de David Duarte, o doente que morreu depois de estar três dias à espera de uma cirurgia a um aneurisma no hospital de São José. Numa nota interna Carlos Martins, administrador do hospital de Santa Maria, nega qualquer envolvimento na morte do jovem de 29 anos e remete esclarecimentos sobre o caso para mais tarde, quando o inquérito tiver terminado.
 
Um dia depois da notícia da morte de David Duarte, o hospital de Santa Maria emitiu uma nota interna onde negava o envolvimento direto no caso que chocou a opinião pública. O administrador colocou o lugar à disposição em nome do apuramento de responsabilidades, agora remete qualquer esclarecimento para mais tarde. Para quando terminarem as averiguações em curso.
 
Depois de denunciar o caso à Ordem dos Médicos, a família do jovem de 29 anos apresentou queixa à Procuradoria-Geral da República e o Ministério Público já fez saber que abriu uma investigação. Pelo meio, Cunha Ribeiro, presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Teresa Sustelo administradora do hospital de São José apresentaram um pedido de demissão.
 
Agora seis dias depois da morte de David Duarte ter sido divulgada pela comunicação social o jornal “Correio da Manhã” avança que o hospital de Santa Maria nunca foi contactado pelo hospital de São José para receber o doente que acabaria por morrer enquanto esperava por uma cirurgia para tratar a hemorragia cerebral decorrente da rutura de um aneurisma. David Duarte esperou três dias por uma operação urgente que nunca chegou a acontecer.
 
Desde 2013 que a tutela tinha sido alertada para problemas nas escalas de neurorradiologia de intervenção no Centro Hospitalar de Lisboa Central aos fins-de-semana. Os constrangimentos foram reconhecidos pelo ministro da Saúde. Também a Ordem dos Médicos já tinha alertado para o problema, adiantando que este não foi a primeira morte a ocorrer no hospital de São José em circunstâncias semelhantes.
 
O hospital reconheceu à TVI que as equipas de prevenção de neurocirurgia vascular estão suspensas ao fim de semana desde abril de 2014 devido à alteração do regime remuneratório. Existem cirurgiões, mas faltam profissionais especializados para efetuar este tipo de cirurgias.
 
Fica então a pergunta no ar? Perante a falta de meios, o hospital de São José pediu ou não ajuda ao hospital de Santa Maria?
 
A TVI contactou o São José e Administração Regional de Saúde de Lisboa, mas até ao momento não obteve resposta.