O diretor do Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado, em Lisboa, David dos Santos, apresentou a demissão do cargo que ocupava há cerca de um ano e meio, anunciou esta quarta-feira a Direção-Geral do Património Cultural (DGPC).

“A Direção-Geral do Património Cultural informa que recebeu hoje o pedido de demissão do diretor do Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado, David Manuel Gargalo dos Santos, o qual foi aceite pelo diretor-geral do Património Cultural”, lê-se no comunicado oficial.


Fonte oficial disse à Lusa que "a decisão foi do próprio [diretor do museu] e que a DGPC estranha esta demissão".

Segundo a mesma fonte, “o cargo de diretor do Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado será assegurado pelo subdiretor-geral [do Património] Samuel Rego, até ser designado um novo diretor, nos termos da lei”.

Samuel Rego tinha anteriormente exercido as funções de diretor-geral das Artes. David dos Santos, de 43 anos, foi nomeado diretor do Museu do Chiado, em dezembro de 2013.

Na ocasião, em comunicado, a DGPC salientava que o responsável tinha sido escolhido “por reunir todas as condições legalmente exigidas, [e] por inequivocamente ter demonstrado ser detentor de competência técnica, aptidão e comprovada experiência profissional no exercício de funções relevantes na área do cargo em apreço”.

A saída de David dos Santos do Museu Nacional de Arte Contemporânea foi avançada pela edição na internet do jornal "Público", que cita a carta de demissão do ex-diretor. Em causa, estaria a tutela da coleção de arte da Secretaria de Estado da Cultura.

A demissão surge dias antes a abertura da exposição "Narrativa de uma Coleção - Arte Portuguesa na Coleção da Secretaria de Estado da Cultura (1960-1990)", marcada para 15 de julho, coincidindo com a inauguração das obras de ampliação do Museu. A exposição tinha curadoria de David dos Santos e da conservadora Adelaide Ginga.

Com mais de cem obras - sobretudo de pintura, mas também escultura, objetos, instalações, fotografias, desenhos e gravuras –, a exposição ilustra os desenvolvimentos da arte portuguesa desses anos.

As obras expostas são de uma coleção criada durante várias décadas pelas entidades governamentais responsáveis pela pasta da cultura no país.

Esta coleção foi entregue a 16 de setembro de 2013 ao Museu do Chiado, pelo atual secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, entrega que se efetivou a 05 de fevereiro do ano passado, quando foi publicado em Diário da República o despacho 1849-A/2014.

O secretário de Estado da Cultura revogou, no entanto, esta decisão, e colocou a coleção sob a tutela da Direção-Geral das Artes.

Segundo o diário Público, que cita a carta de demissão, "David Santos deixa por escrito como na última sexta-feira, 3 de Julho, foi 'confrontado' pelo diretor-geral do Património Cultural, Nuno Vassallo e Silva, e pelo subdirector", e que "destes responsáveis terá recebido ordens diretas para omitir, de todos os materiais de divulgação, qualquer alusão à afectação da colecção ao Museu do Chiado".

Antes de assumir o cargo de diretor do Museu do Chiado, David Santos exercia, em regime de substituição, o cargo de diretor diretor do Departamento de Educação e Cultura da Câmara de Vila Franca de Xira.

Questionado sobre a demissão, o gabinete do secretário de Estado da Cultura remeteu para a Direção-Geral do Património Cultural.

O Museu do Chiado tem sob a sua tutela a Casa Museu Dr. Anastácio Gonçalves, também em Lisboa.