O Comando Regional da Madeira da PSP vai averiguar as circunstâncias e o comportamento do agente suspeito de vender fotos tiradas quando a criança de 18 meses foi encontrada, na Calheta, após três dias desaparecida.

«Considerando as recentes publicações [na comunicação social] sobre uma foto em que um elemento policial está com a criança reaparecida da Calheta, Madeira, decidiu o Comando Regional instaurar um processo de averiguações», adiantou esta segunda-feira à agência Lusa fonte oficial da Direção Nacional da PSP.

O Diário de Notícias escreve hoje que o polícia «registou as fotos do momento» em que a criança, de 18 meses, foi encontrado, acrescentando que o agente policial «vendeu as fotos» a órgãos de comunicação social, o que, segundo o jornal pode tratar-se de uma «infração disciplinar grave» e configurar crimes de exposição de menor e fotografia ilícita.

De acordo com o diário, o polícia, que desempenha funções na Esquadra da PSP da Calheta, disse que o dinheiro da venda das fotografias «era para a família» da criança.

As fotografias do elemento policial com a criança foram publicadas num semanário madeirense e numa revista nacional. Segundo o DN, no primeiro caso o polícia afirmou que «ofereceu» as fotografias ao jornal, enquanto as que saíram numa revista, assumiu que «foram vendidas».

A criança teve hoje alta hospitalar, segundo o Serviço Regional de Saúde.

O menino de 18 meses desapareceu na tarde de domingo, 19 de janeiro, durante um convívio familiar, da casa dos padrinhos, no sítio dos Reis Acima, Estreito da Calheta, na zona alta do concelho da Calheta.

A criança foi encontrada três dias depois, na manhã de quarta-feira, por um levadeiro (profissional responsável pela distribuição de água de rega na Madeira), numa levada nas proximidades da casa de onde desapareceu.

Foi, então, transportado para o Hospital do Funchal, tendo os médicos considerado que estava «clinicamente bem», apresentando apenas «sinais de frio».

O menino ficou internado e, no dia seguinte, as análises clínicas realizadas «revelaram algum grau de sofrimento muscular«, pelo que a equipam médica decidiu prolongar o internamento.

O coordenador da Polícia Judiciária (PJ) na Madeira, Eduardo Nunes, admitiu na ocasião à agência Lusa, na sequência das diligências feitas, estar-se perante «um crime de rapto».

A PJ continua a investigar o caso.